quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

PRÁ PENSAR


"O pessimismo hoje, seja-me permitida mais esta expressão impolítica, é um dever civil. Um dever civil porque só um pessimismo radical da razão pode despertar com uma sacudidela aqueles que, de um lado ou de outro, mostram que ainda não se deram conta de que o sono da razão gera monstros."

O significado das palavras: 

Preliminarmente, quero dizer que quando falei de pessimismo quis referir-me ao pessimismo da inteligência, que, como todos sabem, é perfeitamente compatível com o assim chamado otimismo da vontade. 
"Resignação", ao contrário, é o pessimismo da vontade, uma vez que se pode falar corretamente de pessimismo, que é um modo de olhar a realidade, em relação à esfera da ação. 
Quanto a pessimismo e derrotismo, pessimista é aquele que teme, e derrotista, aquele que espera o pior. Não é possível imaginar dois comportamentos mais antitéticos. O pessimista teme o pior exatamente por desejar ardentemente o melhor. A bandeira do derrotista é "quanto pior, melhor". 
O pessimismo constata que as coisas vão mal e fica profundamente perturbado com isso; o derrotista constata que as coisas vão mal e fica alegre com isso. 
O primeiro tem medo porque espera; o segundo não tem medo porque já perdeu toda a esperança e porque se desespera. 
De resto, esperança e temor são dois estados de espírito que se convertem continuamente um no outro. 
Como escreveu Croce num dos seus belíssimos trechos de ética, que deveria ainda hoje voltar a ser lido, esses dois estados de espírito só não se convertem um no outro quando "se fixam em conclusões, em atitudes e hábitos". Nesse caso, sim, o temor deve ser condenado porque se torna paralisante; mas, da mesma forma, a esperança deve ser condenada quando induz a ações impulsivas e insensatas. 
O contrário do temor não é a esperança, mas a temeridade, a arrogância ou a imprudência. O contrário da esperança não é o temor, mas o desespero. 

Norberto Bobbio

Viver é Perigoso

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