sábado, 16 de julho de 2016

ARES DE OUTUBRO

Na semana passada conversei pessoalmente, pela primeira vez, com o Remy Filho. Ex-Presidente da ACIEI e atual Vice-Presidente. Tranquilo, posições definidas, ex- Capitão da Marinha Mercante, muita experiência e comprovada preocupação com o desenvolvimento da cidade. No facebook buscamos esse seu posicionamento sobre as próximas eleições.
"Nossa indiferença e omissão estão nos presenteando com este padrão de políticos que tanto desprezamos em pensamentos e reclamações.
Em outubro teremos a oportunidade de mudanças em nossa cidade, elegendo um prefeito que é admirado por praticamente todos que tem ou tiveram a oportunidade de conviver com ele. Que é elogiado por um comportamento coerente e sintonizado com os anseios da população em seus 8 anos como vereador. 
Quem vota no dr Ricardo Mello, o faz com plena convicção e com o coração esperançoso de melhores épocas, veja as postagens feitas em seu vídeo informando sua pré-candidatura, são elogios intensos. 
De alguns tenho ouvido que se manterão neutros frente ao embate que se avizinha. É uma posição até compreensível face ao medo de qualquer retaliação ou prejuízo em seus negócios. 
Porém , enquanto mantermos esta neutralidade frente ás escolhas possíveis, teremos que nos conformar com quaisquer resultados obtidos. Permaneceremos sendo este povo bom de reclamação e pouquíssima mobilização. 
Quente ou frio. Morno, nunca !
E você ? Vai ficar em cima do muro ? "

Remy Filho

Viver é Perigoso

VIVER É PERIGOSO


Grande Sertão Veredas, do Guimarães Rosa, é claro, completa 60 anos.

“O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia”.

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

“Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo”.

“Se eu fosse filho de mais ação e menos ideia, isso sim, tinha escapulido, calado “.

“Um dia ainda entra em desuso matar gente”.

“O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo”.

“A gente morre é para provar que viveu”.

“Viver é muito perigoso: sempre acaba em morte”.

“Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade”.

“Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo no meio do fel do desespero”.

“Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por que é que é”.

“Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto”.

“Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas”.

“E a gente, isso sei, às vezes é só feito menino. Se tem alma, e tem, ele é de Deus”.

“E o chiim dos grilos ajuntava o campo”.

“Ah, a mangaba boa só se colhe já caída no chão, de baixo…”.

”A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”.

“Viver é um descuido prosseguido”.

“O senhor ache e não ache. Tudo é e não é …”

“Passarinho que debruça – o voo já está pronto”.

“Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração”.

“Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.

“Deus é paciência. O contrário é o diabo”.

“O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando”.

“A gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?”.

“Quem-sabe, a gente criatura ainda tão ruim, tão, que Deus só pode às vezes manobrar com os homens é mandando por intermédio do diá?”.

“O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo”.

“Cavalo que ama o dono, até respira do mesmo jeito”.

“Quem desconfia fica sábio”.

“Passarinho cai de voar, mas bate suas asinhas no chão”.

“Ser ruim, sempre, às vezes é custoso, carece de perversos exercícios de experiência”.

“O espírito da gente é cavalo que escolhe estrada”.

“Medo, não, mas perdi a vontade de ter coragem”.

“O jagunço Riobaldo. Fui eu? Fui e não fui. Não fui! – porque não sou, não quero ser”.

“Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! (…) Este mundo é muito misturado …”.

“Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho de Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente”.

“A morte é para os que morrem”.

“A vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria. Vida devia de ser como sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho”. 

“Preto é preto? branco é branco? Ou: quando é que a velhice começa, surgindo de dentro da mocidade”.

“No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!”.

“Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera”.

“O bom da vida é para cavalo, que vê capim e come”.

“E sei que em cada virada de campo, e debaixo de sombra de cada árvore, está dia e noite um diabo, que não dá movimento, tomando conta.”

“Tudo que é bonito é absurdo – Deus estável”.

“Liberdade – aposto – ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no vão dos ferros de grandes prisões”.

“Sertão é o sozinho”.

“Sertão: é dentro da gente”.

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.

“Tudo que já foi, é o começo do que vai vir, toda a hora a gente está num cômpito”.

“Um sentir é do sentente, mas o outro é o do sentidor”.

“Para o prazer e para ser feliz, é que é preciso a gente saber tudo, formar alma, na consciência; para penar, não se carece”.

“Obedecer é mais fácil do que entender”.

“Onde é que está a verdadeira lâmpada de Deus, a lisa e real verdade?”.

“Tive medo não. Só que abaixaram meus excessos de coragem”.

“O sertão é sem lugar”.

“Rir, antes da hora, engasga”.

“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só fazer outras maiores perguntas”.

“Somente com a alegria é que a gente realiza bem – mesmo até as tristes ações”.
“O senhor sabe o que é silêncio é? É a gente mesmo, demais”.

Guimarães Rosa - Grande Sertão Veredas

Viver é Perigoso

MATANDO AS SAUDADES


Começam a circular pela cidade os chamados deputados da região. Andavam sumidos (exceto o Ulysses que mora na terrinha). Algum aroma no ar os tem atraído para cá. Dizem as más línguas que se trata do perfume exalado pelas urnas eleitorais.
Resumindo a conversa aos deputados federais, Bilaquinho e Dimas Fabiano. 
Nos últimos dois anos, a televisão tem mostrado milhares de reuniões da Câmara Federal. Pegam no batente cedo, ali pelas onze da manhã. E para ser justo, algumas vezes avançam pela madrugada afora.
Tudo bem que a labuta é exercida só as terças, quartas e quinta. Mas convenhamos que ninguém é de ferro.
Tantas discussões, tantos xingamentos, tantas comissões, tantos membros nomeados titulares e suplentes, tantos nomes cogitados nas eleições internas, tantos entrevistados e nunca, mais nunca mesmo, exceto na votação nominal do impeachment, ouvi qualquer menção ou intervenção do Dimas ou do Bilaquinho.
Costumo atentar para varredura promovidas  no plenário pelas Câmaras de Televisão e jamais consegui vê-los. Mesmo nas entrevistas concedidas pelos mais graúdos aos repórteres políticos da TV, nos corredores do Congresso, fixo o olhar naquela turma que circula ao fundo, sempre com andar apressado, pasta na mão e fuçando no celular, tentando ver um deles e nada.
Confesso que já ficaria alegre e bem representado.
Seriam discretos ? Tímidos ?
Ao baixo clero tenho certeza que não pertencem.

Viver é Perigoso
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MOÇA BONITA

Kim
Viver é Perigoso

VENTOS DE GUERRA


Caso os alunos do Grupo Escolar Rafael Magalhães, na Boa Vista, é claro, sejam consultados, dirão de imediato que que as próximas eleições municipais significarão para os políticos Ulysses Gomes e Rodrigo Riera, um primeiro turno para a próxima eleição para deputados.
Para nós, meros mortais, existe muita lenha para queimar até lá. Para políticos, que só pensam naquilo (poder ou sua proximidade), funciona como as eleições seriam amanhã.
O atual prefeito sairá candidato a deputado estadual, caso ganhe ou perca as próximas eleições municipais. Se ganhar, renunciará ao cargo de prefeito em tempo legal de concorrer. Deixaria ocupando a sua cadeira o leal  Vice Christian. Quer dizer, continuaria no poder.
Já o Ulysses será novamente candidato a deputado estadual e pronto.
Itajubá até ajuda, mas não elege ninguém sozinha. O candidato vencedor terá que correr o chapéu de votos em toda a região.
Eleições desgastam.
O Rodrigo enfrentará um osso duro de roer. Contará com um exército, não confiável de candidatos a vereador. Em compensação, dentro do estilo antigo, não terá cargos comissionados para oferecer. Todos já ocupados. E nem tampouco novas promessas de realizações. 
O Ulysses correrá por fora, apoiando discretamente, conforme interesse de ambos, o Dr. Ricardo. Inevitavelmente, o Dr. Ricardo sairá bem das eleições, ganhando ou perdendo. Somando para o Ulysses.
Ao contrário, o Rodrigo Riera só terá a perder, em termos de acumular gorduras para a eleição estadual.  O estilo eleitoral trombador, seu e dos seus assessores deixará cicatrizes, sem dúvida.   Os seus marqueteiros terão trabalho.
Não se trata de nenhuma charada, mas considerando o cenário previsto para 2017 e 2018, o Rodrigo Riera poderia ter mais chances na eleição para deputado caso não fosse reeleito prefeito. 
Esqueçam desvios de comportamento do PMDB e do PT.
Nomes é o que interessa.

Viver é Perigoso