quarta-feira, 29 de junho de 2016

CLÃS DA BOA VISTA


Rua mágica na Boa Vista. Rua Eulálio Pinto, que não fica atrás da Igreja São José. Poderiam dizer que a Igreja é que fica adiante da Rua do Senhor Orlando Berthi e da Dona Sebastiana. 
Casa da moças bonitas e de um querido amigo.
Luíza, Linda, Leila e Marcos.
Sr. Orlando, homem dos sete instrumentos, que veio muito cedo de Caçapava. 
Funcionário da Fábrica de Armas e Professor de Mecânica Prática na Efei. Mago no reparo de motores de popa e da pequena cicatriz na face  provocada pelo salto de um dourado, nas priscas eras do Rio Sapucaí.
Luíza, uma das mais bonitas itajubenses da história. Como diziam, de fechar o comércio. Casou-se com o amigo amazonense, Zé Daou.
Linda, do Betinho Faria, Leila do Walter Mohallem, que partiu muito antes do combinado. Marcos, que foi da Bia e que o destino o fez começar tudo de novo no Rio de Janeiro. 
Falso desligado e atento a tudo.
Dona Sebastiana, que a calma e serenidade a levaram ultrapassar a barreira dos cem. Por nós da Boa Vista, é claro, doravante seria chamada de Rua Orlando Berthi.
Gente de bem.

Viver é Perigoso

MOMENTOS MÁGICOS

SOB A LUZ DE VELAS


Fica decretado que os homens 
estão livres do jugo da mentira. 
Nunca mais será preciso usar 
a couraça do silêncio 
nem a armadura de palavras. 
O homem se sentará à mesa 
com seu olhar limpo 
porque a verdade passará a ser servida 
antes da sobremesa. 

Thiago de Mello

Viver é Perigoso

AMIGO É PARA ESSAS COISAS

Encontrei hoje no Supermercado com um amigo de longa  data. Há tempos não nos encontrávamos. Perguntas comuns sobre a saúde, trabalho, família e seleção brasileira. Interessante, que de imediato reparei um certo desconforto no  Sebastião. Não identifiquei a razão, mas o ar ressabiado não deixava dúvidas.
Como em todo o fim de conversa de mineiros, disse-lhe:

- Bom, então fica assim. Foi legal encontra-lo. Vamos marcar um cafezinho para colocar a conversa em dia.

- Zé, disse ele, desconfiado e olhando para os lados, preciso lhe dizer um negócio meio chato. E colocou-se a cofiar a barbicha.

De imediato pensei: separou-se da Lourdes. Ou algo desse tipo. Suspirando fundo, ele disse:

- Pensando bem, melhor deixar para lá. Outra hora eu te procuro. Não é nada tão importante assim.

- Que isso Cara ! Sem problema, desembuche ! Sou todo ouvidos.

- Zé, não sei como começar. Penso que isso poderia acontecer com todo mundo. Mas...fazer o quê ? Aconteceu comigo.

- Claro ! É a vida. Devemos estar prontos para surpresas. Tudo pode acontecer. Mas e daí Tião ? 

- Zé, tenho certeza que você entenderá. Não me leve a mal e entenda. Fui levado a isso. Pensei muito e tomei a decisão. Sei que será difícil.

Já com a cabeça feita preocupei-me com a Lourdinha. Tão apaixonada, tão apegada. Mas ela sairá bem. Quem seria a outra ? 

- Tudo bem, Tião. mas aconteça o que acontecer, estaremos próximos.

- Sabia disso Zé. Só peço que esse assunto, pelo menos por hora, fique só entre a gente. Você entende não é ?

- Claro Tião. Por mim tudo bem.

E murmurando, ruborizado e com os olhos rútilos:

- Vou sair candidato a vereador.

Dei -lhe um tapinha nas costas, assenti com a cabeça e olhando com a solidariedade que o momento exigia e já afastando-me, disse-lhe:

- Cara, vá adiante. Isso passa.

Viver é Perigoso   



  

CANTINHO DA SALA

Helen Frankenthaler

TOFOLLI MANDA SOLTAR COMPANHEIRO


Viver é Perigoso