quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

DOA A QUEM DOER


Numa pequena e pacata cidade do interior, uma pioneira emissora de rádio resolveu, sabe-se lá por quais motivos (ou sabe-se sim), substituir um tradicionalíssimo programa informativo e de entrevistas, por quatro pílulas informativas, aplicadas de hora em hora, no período da manhã, com equipes de reportagem volante ao vivo pela cidade. 
Possivelmente, dentro da renovada linha editorial da emissora, ouviremos enérgicas e independentes intervenções, antecedidas por conhecida vinheta:

Às 09:30 horas:

- Alô Valdir ! Estamos falando aqui diretamente da belíssima rotatória do Sambódromo. Totalmente virtual. Nada físico. Me perdoe, mas tenho que registrar que é mais uma obra da atual administração. Estamos com o Assessor Parlamentar Eurípedes que dá sua opinião sobre a atual administração. Dá-lhes Eurípedes !
- É dez ! administração nota dez nos quesitos harmonia, evolução e claro, pela fantástica comissão de frente.
- Obrigado Professor. Aqui prevalece a opinião do povo, doa a quem doer.

Às 10 :30 horas:

- Alô Valdir ! Estamos falando diretamente do Jardim do Éden ou melhor, da Praça Principal, com suas águas coloridas, cantantes e jorrantes que maravilham e extasiam o país. Sua luxuriante arborização cercada pelos multicoloridos canteiros é completada pelo inebriante perfume exalado pelas frigideiras de pasteis, coxinhas, esfihas e quibes dos bem equipados cafés da região central. Estamos aqui com o funcionário público municipal, Sr. Barnabé, que irá comentar sobre as negociações salariais que atingiram um certo impasse. Dá-lhes Barnabé !

- Olha gente, eu não concordo com o reajuste de salário pedido pelos meus colegas. Do jeito que está, já está muito bom. Só o orgulho de ser dirigido pelos atuais administradores já vale uns 30% do salário. É uma alegria receber ordens desse pessoal.
- Obrigado cidadão ! Aqui prevalece a opinião do povo, doa a quem doer.

E assim vai...

Viver é Perigoso 

LÍDER CONSCIENTE - O QUE TEMOS

Hoje em dia proliferam os políticos, governantes, dirigentes, estadistas, burocratas, diretores, executivos e gestores centrados em seus próprios interesses, mas são raros os verdadeiros líderes a serviço do bem comum. No âmbito das empresas, por exemplo, a maioria dos funcionários se queixa da relação desumanizada que mantêm com seus superiores. Por mais que os tempos estejam mudando, continua-se falando com muita frequência de chefes autoritários, que, embora diferentes, compartilham algumas características comuns:

Acreditam na hierarquia. Continuam pensando em termos de superiores e inferiores. Tratam as pessoas em função de seu cargo profissional. Tendem a mostrar o melhor de si aos de cima e sua pior versão aos que consideram debaixo.

Estão focados em sua carreira profissional. Para eles, pouco importa o impacto que seu trabalho tem sobre a sociedade. De fato, muitos mudam de empresa por motivos econômicos. Seu objetivo é crescer no escalão empresarial, ostentando cargos de maior reconhecimento, prestígio e remuneração.

Dão ordens. Acreditam que sua principal função consiste em dizer aos membros de sua equipe o que têm de fazer, abusando de seu poder. Em geral, não escutam as ideias de sua equipe nem levam em conta outros pontos de vista que não sejam os seus.

Punem os erros. Devido à pressão a que estão submetidos para obter resultados a curto prazo, não toleram as falhas de seus colaboradores. Às vezes dão broncas quando as coisas não saem como esperavam, criando um ambiente trabalhista baseado no medo da punição.

Usam máscara. Baseiam sua identidade no cargo que ocupam. Estão tão obcecados com a produtividade que não levam em conta a dimensão humana de seus colaboradores. Não costumam falar do que sentem nem permitem que outros o façam.

Ficam com todo o mérito. Competem com os membros de sua equipe e não suportam que alguém se destaque mais que eles. Culpam os outros quando os resultados são medíocres e ficam com todos os méritos quando se consegue algum sucesso coletivo.

São desconfiados e controladores.Dedicam muito tempo a fiscalizar e corrigir o trabalho realizado por seus funcionários. Não contemplam a opção de que as pessoas empreguem novas tecnologias para trabalhar de qualquer lugar, impedindo-as de gozar de autonomia e liberdade. São a principal causa da desmotivação de suas equipes.

Borja Vilaseca - El País

Viver é Perigoso


PRÁ PENSAR



A censura imposta pelo agrado remunerado é mais triste do que a executada pela força, pela opressão.


John Chair

SÓ UMA MAROLINHA