domingo, 16 de outubro de 2016

TEMA DE ALZHEIMER


A medicina já sabe que a memória musical é uma das últimas que são perdidas por causa da deterioração cerebral provocada pelo mal de Alzheimer. 

A música habita regiões distintas das da memória convencional. Uma música relacionada a fatos da vida passada do paciente, como uma estratégia de retenção, pode funcionar como uma "chave para o passado", explica André Palmini, neurocientista do Instituto do Cérebro da PUC-RS.

A memória da melodia, principalmente, é bastante preservada, mesmo no Alzheimer, explica Wagner Gattaz, professor de psiquiatria da USP. De todo modo, diz o professor, as memórias autobiográficas costumam durar mais. "A música já é usada para tranquilizar, mas pode sim ajudar a guardar mensagens simples"

Uma iniciativa independente quer testar essa hipótese, sem a pretensão e a seriedade de um estudo acadêmico, unindo famílias e pacientes com Alzheimer a músicos. 

A proposta do projeto Músicas Para Sempre é fazer com que os artistas conheçam um pouco sobre a vida dos pacientes e produzam músicas sobre eles.

A ideia da homenagem no projeto Músicas Para Sempre nasceu como uma peça de divulgação para o filme francês "A Viagem de Meu Pai", lançado neste ano no Brasil. O personagem principal tem Alzheimer e o filme mostra a relação dele com a filha. 

Há três anos, Camila e Mariana, filhas do empresário Hélio Queiróz, acharam que havia algo de estranho com o pai.

"Elas perceberam que eu não estava fazendo coisas muito corretas, e eu não tinha essa noção. E começaram a procurar um médico para mim, sem eu saber", diz.

No começo foi difícil, ele conta. "Ninguém gosta de saber que tem uma doença como essa. Você diz para você mesmo: 'não tenho isso!'

A vida do empresário aposentado Hélio Queiroz, 65, foi a primeira que virou música. A música sobre a vida de Hélio foi composta por Lucas Mayer.

Ela começa assim: "Para começar a sua história/Na ladeira da Faap, rolimã/Ia pedalando todo dia para a escola/Pra sobrar aquela grana pro sorvete de amanhã/Seu nome misturou o nome do seu pai, com o do seu vô/E para nós/Desde pequenas era comum ouvir na sua voz/Meu nome é Hélio Elpidio Pereira de Queiroz"

E segue com o refrão: "Pai, estamos aqui pra te lembrar/Que onde o mar está/É aonde queremos ir/E você vai nos levar".

Hélio responde bem aos vários medicamentos, que toma sem ajuda, segundo a filha Mariana. Ele vive sozinho, dirige e pratica exercícios. "Estou aqui, vivendo", diz.

Retratar a vida de Hélio seria uma maneira de mostrar que cenas do filme também aparecem na vida real.

O ex-empresário não consegue esconder a felicidade ao se lembrar da música-homenagem que recebeu. "Todos os meus amigos, minha família e pessoas que me apoiam estavam lá. Tenho só a agradecer. Nunca em minha vida imaginei sentir 10% dessa emoção", relata.

(Trechos de reportagem da Folha)

Estou escrevendo a letra da música sobre minhas lembranças. Pretendo adaptá-la sobre trechos musicais que marcaram a minha vida.

Afinal,

Viver é Perigoso.

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