domingo, 4 de setembro de 2016

O EMBAIXADOR DE SÃO BERNARDO DO CAMPO


A criatura é o que chamamos "bagre ensebado": trejeitos, gestual e testa franzida de "estudioso enciclopédico-reflexivo"; ar pontifício sobre o que vai, em seguida, ilustrar a nós, pobres mortais e ignorantes.

Fala de forma articulada, calma, professoral. Um vovô conversando com os netinhos... 
No entanto, aquilo tudo não passa de pomposa e balofa coleção de falsa ilustração. 
Ilude muitos...ouro de tolo, diria, caso quisesse abusar do lugar comum.

Pastel de vento erudito onde se refocilam e se ceivam de há muito os grandes demagogos e mistificadores do nosso infeliz mundinho.

Mas, ahá!, olhe pros seus olhos. 
Repare nos olhos do homem... 
Prá usar o lugar comum, repare nas janelas de sua alma...

Jamais encaram direto a platéia: uma micro varrida por todos os quadrantes - olhar vazio como o de um zumbí. Em seguida, cara de inteligente e rota do olhar para cantos e pessoas mais confiáveis. 

E o bestialógico entra na avenida e começa a desfilar. Sem conseguir, contudo, disfarçar o "parti-pris" (ôôpa!!) que já vem logo, ruidoso, saltando para os ouvidos da platéia com cambalhotas e ao som da bandinha do circo. Se preciso, laranjas equilibradas no nariz, como uma foca de circo de cavalinhos.

Mas divago, não é disso que queria falar. Queria falar é dos boletins escolares desse douto doutor (êpa!), que tem se esforçado tanto para ser uma "referência" jurídica nas intervenções que faz nos julgamentos televisados que temos tido até aqui. 
Ver os boletins da escola primária até quando vestiu a capa preta. Ler os textos de suas "palestras" (remuneradas??) nos "congressos" patrocinados por corporações que, no mais das vezes, estão com contas a acertar lá naquele prédio bonitão da Praça dos Três Poderes.

Queria ouvir a opinião de seus colegas de turma (em todos os graus). Sei não... acho que faz parte daquele time que conhecemos bem: trabalho em grupo, uma ajuda discreta dos colegas à frente, atrás e aos lados nas provas e por aí segue o cortejo.

Estamos no fio da navalha se pensamos nos atuais encarregados de ser intérpretes da nossa constituição - oremos prá errem pouco, oremos prá que os bons, os estudiosos, mesmo que vez em sempre açucarados demais, prevaleçam. 
O país, esgarçado como está, precisa da concisão, pressa e bom senso dessa turma.

Abraços jurídicos, seu Zé.

Marcos Carvalho

Viver é Perigoso

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