sexta-feira, 20 de maio de 2016

BURACO NACIONAL


A gente se dá conta da nossa data de validade, quando lê que hoje, 19 de maio, completam 52 anos do início da "Campanha Ouro Para o Bem do Brasil", em Itajubá.
Foi em 1964, poucos dias após o "golpe de 64". Gostoso falar em golpe.
Aconteceu na Praça Amélia Braga, em frente ao Fórum Municipal, com banda de música, fogos e grande concentração cívica.
Os casais que doassem suas alianças de casamento, por exemplo, receberiam de volta alianças de metal e um diploma com os dizeres: “Doei ouro para o bem do Brasil”. Houve quem doasse colares, brincos e outros objetos de ouro, até dinheiro do próprio bolso, para ajudar o país a se levantar
Venceslau Braz ofereceu a caneta de ouro, com incrustações de pedras preciosas, com que assinara a Declaração de Guerra à Alemanha, por ocasião da 1ª guerra mundial.
Duas notas não muito alegres: Eu estava presente no evento com meus 16 anos e no impulso doei uma correntinha, banhada a ouro, que carregava no pescoço.
Justificativa: Ficava emocionado com foguetes, dobrados da Lira São José e os inflamados discursos do locutor oficial, Sr. Sebastião Inocêncio Pereira.
A revista “O Cruzeiro”, em 13 de junho de 1964, apresenta um balanço parcial da campanha informando que mais de 400 quilos de ouro e cerca de meio bilhão de cruzeiros haviam sido doados pelo povo.
Jamais foi informado onde foi parar todo o ouro e o dinheiro arrecadado.
Pelas noticias vindas do governo Temer, sobre o buraco nacional, poderemos ter outra campanha nos mesmos moldes. Dessa vez, sem a minha correntinha.
É a vida...

Viver é Perigoso 

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