domingo, 23 de agosto de 2015

BASE ALIADA


Encontrei hoje nas proximidades do Supermercado Alvoradão com o meu amigo, quase ex-petista. 
Sempre conversamos com relativa cordialidade.
No nosso último encontro ele tentou explicar (foi publicado no blog) a jampeada que os dirigentes do PT, quando de recente visita à Helibrás, deram no Prefeito Rodrigo Riera.
Pois bem, desta vez eu tomei a iniciativa:
- Camarada, o Programa Minha Casa Minha Vida, que acho interessante, é o carro chefe do governo petista. Aliás, quase só sobrou ele. A Dilma só sai do Palácio para inaugurar alguma unidade por esse Brasil afora. Lógico, que existe a colaboração das prefeituras locais, mas leio no combativo jornal "O Sul de Minas", que foi inaugurado um bonito Conjunto Residencial no Bairro do Moquém, pelo Prefeito Municipal à revelia do PT. Ou seja, a Administração Municipal teria chapelado o Pimentel, Ulisses e o Odair numa jogada só ?
- Pois é Camarada Zelador...Mas não irá ficar assim não. Estamos estudando com a Cemig e Copasa para dar uma segurada nas ligações de água e luz. Enquanto isso, iremos providenciar uma nova inauguração, desta vez, oficial.
- E a inauguração do aeroporto ?
- Aí o negócio vai pegar. Nessa obra não daremos chances para oba-oba municipal.
- Acho bom vocês se acertarem, tipo inauguração A e inauguração B.
É a vida
Viver é Perigoso

ABRA CAMINHO !


Filipe Hungria - Obvious 

Shosholoza é um cântico de origem Ndebele entoado pelos mineiros do Zimbábue e da África do Sul nos trens a caminho das minas. A vida destes mineiros era marcada pelas péssimas condições de trabalho, pela violência e pelo medo, o que naturalmente os levaria à miséria física e espiritual. No entanto, o que surgiu deste cenário foi essa canção, tão simples quanto cativante, cujo poder imenso de inspirar foge completamente à minha compreensão.
Cantada à capela ou com tambores e sempre em grupo, sua melodia transmite uma energia impressionante. Mesmo quem não entende sequer uma palavra da letra percebe que não se trata apenas de folclore, mas de algo extremamente belo e profundo. Quando consideramos seu contexto, concluímos que Shosholoza é a sublimação de uma experiência extremamente dolorosa, que só seria possível com uma obra equivalente em beleza e humanidade ao sofrimento vivido por seus criadores.
De cara, sua primeira nota já nos transmite toda a dor e o cansaço de um trabalhador exausto. Seu chamado desesperado é imediatamente amparado e seguido pelos também exaustos companheiros de jornada. Mais do que a dor, o que realmente chama a atenção é a empatia e a caridade dos mineiros, que individualmente ignoram o próprio sofrimento para, em grupo, acudirem o outro. Pouco a pouco, a escuridão vai dando lugar à esperança e seus espíritos vão se tornando mais leves. Logo, passa a prevalecer a força e até, quem diria, a alegria! Aquela alegria sincera, de quem ainda consegue sorrir diante da pior adversidade e que contagia o mais duro dos corações!
Shosholoza significa “vá em frente ou abra caminho para o que vem de trás” e é uma onomatopeia do trem a vapor. Na canção, o coro dialoga com o trem, dizendo-o para acelerar para além das montanhas. Acredita-se que também era entoada durante as jornadas de trabalho como uma forma de amenizar o estresse e manter a cadência da tarefa nas minas.
É, sobretudo, uma música de superação e união. Não por acaso, ela foi entoada exaustivamente pelos torcedores dos Springboks durante a copa do mundo de rúgbi de 1995, ocasião em que a até então desacreditada seleção sul-africana sagrou-se campeã mundial. Desde então ela vem sendo considerada o hino nacional não oficial da África do Sul. Mais do que a união de uma torcida em torno de um time, Shosholoza tornou-se o símbolo da união de povos historicamente segregados para a conquista de uma identidade nacional, legitimando o fim do Apartheid (juridicamente extinto em 1994).
Voltando aos nossos pequenos eclipses da vida, não vejo Shosholoza como uma mera canção que inspira e reenergiza (embora sem dúvida ela o seja), mas como uma lição e um exemplo! Quando a dificuldade vem, a maioria de nós se isola e espera a tempestade passar, e perde momentos preciosos de música e de vida. Mas ela mostra o contrário. Ela mostra que a força vem quando a gente se abre e pede ajuda; vem quando a gente se une àqueles que nos compreendem e muitas vezes enfrentam os mesmos problemas; vem quando deixamos de lado nossa própria dor em favor do próximo, e ensina que, ao cuidar e aliviar o sofrimento do outro, curamos a nossa própria dor.
Que sigamos “sempre em frente”, sempre em boa companhia e sempre voltados para o próximo. Que não nos falte a companhia destes velhos mineiros, e que não nos falte música!

Filipe Hungria - Obvious

CANTINHO DA SALA

Jackson Pollock

PORQUE HOJE É DOMINGO