domingo, 24 de maio de 2015

SENTIMENTOS NA MONTANHA RUSSA

 
Nas pequenas terras ainda usam  as tristes, feias e assustadoras cartas fúnebres para informar sobre falecimentos. São fixadas nas paredes externas dos mais movimentados estabelecimentos comerciais.
São respeitadas e lidas com reverência e atenção.
A tradição foi quebrada na terrinha no final dos anos sessenta, quando alguns estudantes baderneiros da Escola de Engenharia (dizem) encomendaram em uma gráfica de Pouso Alegre, uma tétrica carta fúnebre noticiando a "tomada de barco" de um rígido professor, que aliás, até hoje continua vivinho da silva. Brincadeira de extremo mau gosto.
O assunto deu até inquerito. Foi engavetado, uma vez que um dos suspeitos era filho de um figurão..
Mas vamos até a montanha russa.
Outro dia, indo até a agência do Banco do Brasil, uma carta fúnebre me chamou a atenção. Montanha russa de sentimentos.
Informava sobre o falecimento de uma prestativa e caridosa senhora. Fui tomado, em princípio, por grande alegria.
Explico: Imaginava que ela havia falecido já há uns bons anos. Tinha ouvido a notícia e lamentado sua partida.
Que beleza ! Fiquei sabendo que ela esteve entre nós nos últimos dez anos.
Tristeza: Havia partido de verdade.
Não consegui definir qual foi o sentimento mais sentido. Se a alegria ou a tristeza. Uma certeza: o tempo recorde entre um e outro.
É a vida.

ER

PRÁ PENSAR

 
Sem saída na casa dos sessenta. Calado, depressivo. Questionador, arrogante.
 
John Chair 

CONVERSA DE BOTEQUIM


Se todos tivessem  conhecimento de como é feito um orçamento, municipal, estadual ou federal, não levariam o assunto tão a sério. Normalmente partem dos números do ano anterior e estimam uma correção padrão. Alguns administradores se empolgam e traçam crescimento "chinês". Posteriormente, os acertos são feitos através de pedaladas, para frente ou para trás, a la Michel Jackson.
No Brasil, orçamentos são para inglês ver.
Discute-se muito hoje os "cortes" no orçamento federal.
As besteiras administrativas cometidas pelo governo os últimos anos foram observadas inclusive pelos alunos do conceituadíssimo Grupo Escolar Rafael Magalhães, na Boa Vista, é claro.
Gastos desenfreados sem o mínimo gerenciamento, roubos milionários à luz do dia e à mãos desarmadas e incompetência extravasando todos os limites.
Tudo sustentado por uma economia estabilizada, às duras penas pelo governo anterior e por bem vindas ondas altíssimas originadas do consumo chinês de materias primas.
As eleições do ano passado e a necessidade de manutenção do poder levou à mentira e encobrimento parcial da ruína.
Eles ganharam e o povo perdeu.
O Brasil terá que ser reconstruído. A credibilidade dos homens públicos, em todos os seguimentos, atingiu marcas abaixo de zero.
Sacrifícios ? Tão somente do povo. Mais uma vez.
Nenhuma redução de custos, diminuição da máquina pública e atenuação de privilégios.
Chances  a curto e médio prazo ?
Nenhuma.
Partidos políticos de araque, ausência total de lideranças, judiciário distante, forças armadas despreparadas material e intelectualmente e o pior: povo triste, desiludido e historicamente incapaz de reações.
Provem o contrário. Pelo menos teria um domingo mais feliz.
É a vida...
 
ER