quarta-feira, 6 de maio de 2015

MUITA CALMA NESSA HORA

 
Melhor seria não ter tomado conhecimento. Alertado por um comentário ouvi hoje a gravação do Informativo da Jovem FM, do último dia 5.
O Programa, conduzido de maneira tranquila pela jornalista Célia Rennó, com reportagens da Maria Paula Feichas, levava ao ar uma entrevista com o Vereador Wilson Marins.
Tudo seguia normal.
De novidade, o posicionamento do Vereador contrário ao Projeto de Lei do Executivo que solicita aprovação da Câmara Municipal para venda de 13 imóveis do município.
Registre-se que o Vereador luta para a realização de uma Audiência Pública para tratar do assunto. Tudo light.
De repente, não mais que de repente, a Célia Rennó interrompe a entrevista para informar que o Sr. Prefeito estava no telefone, tentando entrar no ar, e tratando como mentiroso e outros "bichos" a autoridade (Vereador também é autoridade) que ousou a discordar da "linha de pensamento da prefeitura".
Para o bem do Prefeito e de todos nós, a emissora não colocou a autoridade maior do município no ar. Poderia complicar ainda mais o já complicado momento.
A intervenção soou claramente como uma ameaça. O Vereador, aparentemente ficou atônito.
Concluimos que, embora a emissora não obedeça a linha editorial da Administração, tem a sua audiência. Isso é interessante.
A entrevistadora agradeceu a audiência e renovou o convite para uma participação do Prefeito no Programa.
Apego-me por um fio a esperança de que uma outra pessoa tenha se feito passar pela autoridade, que jamais poderia perder o controle emocional com a simples manifestação de uma posição contrária a sua.
Tem experiência suficiente para isso.
Confirmado a cena e os atores cabe um pedido de desculpas públicas do Sr, Prefeito, pelo qual, todos sabem de meu apreço pessoal, não só ao Vereador ofendido, como à Câmara Municipal, principal ofendida. 
Muita calma nesta hora.
 
ER      

Ô POVINHO EXIGENTE !


OCASO DE UM CICLO

 
Fiquei triste ao ver e ouvir o discurso de Lula neste 1º de Maio da CUT, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.
Lula nunca ficou tão isolado num palanque, sem estar cercado por importantes lideranças políticas, populares e sindicais.
Só havia gente desconhecida a seu lado e, ainda por cima, um deles segurava o cartaz em que se lia "Abaixo Plano Levy - Ação Petista", mostrando o descompasso entre a CUT, o partido e o governo.
Também não me lembro de ter visto Lula falando para tão pouca gente, e tão desanimada, num Dia do Trabalhador. Não havia ali sinais de alegria e esperança em quem o ouvia, como me acostumei a acompanhar desde o final dos anos 70 do século passado, nas lutas dos metalúrgicos no ABC.
Lamento muito dizer, mas o discurso de Lula também não tem mais novidades, não aponta para o futuro. Tem sido muito repetitivo, raivoso, retroativo, sempre com os mesmos ataques à mídia e às elites, sem dar argumentos para seus amigos e eleitores poderem defendê-lo dos ataques.
Ao vê-lo e ouvi-lo agora, tive a sensação de estar assistindo ao ocaso de um ciclo mágico, que levou o líder operário ao poder e promoveu profundas transformações sociais em nosso país. Fica difícil até acreditar que, há apenas pouco mais de quatro anos, Lula deixava seu segundo governo com 80% de aprovação popular, aplaudido e reconhecido em todo o mundo como um líder vencedor.
Àquela altura, Lula não precisava fazer nem provar mais nada. Já tinha passado para a história, em lugar nobre, e precisava apenas cuidar da saúde e da própria biografia. Prova do seu prestígio, elegeu e ajudou a reeleger sua sucessora.
Nos últimos tempos, porém, com o profundo desgaste sofrido pelo PT após os casos do mensalão e do petrolão, que abalaram o partido da estrela, Lula parece ter perdido os dons do mito que construiu ao longo das últimas três décadas. Política também é feita de símbolos e tornou-se simplesmente impossível descolar um do outro: para o bem ou para o mal, Lula é o PT e o PT é Lula.
O que aconteceu?

Como seu velho amigo e parceiro de tantas campanhas políticas, percorrendo várias vezes este nosso imenso país de ponta a ponta, também estou em busca de uma resposta. Talvez ele próprio não a tenha. A última vez que nos falamos, por telefone, foi às vésperas da eleição do ano passado. Parecia confiante na vitória do PT, como sempre.
De lá para cá, tanta água passou por debaixo da ponte, em tão pouco tempo, que, em algum lugar da estrada, perderam-se a velha confiança e a capacidade de dar a volta por cima, sem que Lula consiga encontrar um novo discurso capaz de mobilizar os jovens eleitores e os velhos companheiros que ficaram pelo caminho.
Vida que segue.
 
Ricardo Kotscho (condensado)