sábado, 15 de novembro de 2014

A FAMÍLIA

 
Da Boa Vista, é claro. Dona Ditinha do Sr. Zezinho Machado, completou, pela graça de Deus, seus noventa anos. 
Normal na Boa Vista citar o nome da pessoa seguido do nome do companheiro ou companheira. Uma doce ideia de propriedade.
Cidinha do Mauro e Mauro da Cidinha, Dona Tereza do Sr. Guilherme e Sr. Guilherme da Dona Tereza, Dona Dola do Sr. Gilberto e Sr. Gilberto da Dona Dola. Em tempos outros o tratamento valia para noivos e namorados firmes, daqueles que já andavam de mãos dadas e até mãos nos ombros. Outros tempos.
Interessante é que todos na Boa Vista tratavam como tios, os filhos do patriarca José Machado. Eram os tios Wander, Milton, Wilson, João, Zélia, Wanda, Moacir e tia Lourdinha. Sem falar, é claro, no tio Zezinho da Dona Ditinha.
Família boavistana de quatro costados.
Dona Ditinha, mulher de luta, determinada, bonita. Uma grande Senhora da Boa Vista.

ER
      

ÊPA !

 
Operação Lava - Jato

ER

É A VIDA...

Entendam. O político antigo, tradicional (idade não tem nada a ver com isso), em busca dos seus objetivos, é um ingrato nato.
No primeiro momento não parece. Mas é.
Traz para o seu aconchego e sob suas asas os seguidores fieis. Na realidade, encosta-os numa mesinha qualquer, razoavelmente remunerado.
Quanto menos se encontrarem nos quatro anos de vida comum será melhor. Não para o fiel seguidor, que se posta pelos corredores tentando provocar um encontro acidental. Receber um olhar, um aceno, um cumprimento e um antigo gracejo, é a glória.
Felicidade que chega a virar os olhinhos.
E assim vai.
Quem seriam então os merecedores de atenção e convidados para infindáveis conversas ?
Nunca os fieis escuderos. Esses já estão domados, domesticados e movidos a um simples estalar de dedos.
Os merecedores de atenção serão os adversários corretos, idealistas e atentos aos eventuais e aos programados deslizes.
São criticados, insultados aos berros entre quatro paredes. Paparicados no extremo, não em público, porque pegaria mal, mas em telefonemas fora de hora, em pequenas festas, velórios ou em encontros informais.
Seria comum ouvir nesses não sinceros encontros:
"não podemos dispensar a sua colaboração", "brilhante aquele seu posicionamento", "mudei de ideia após ouvi-lo", "precisamos conversar mais", "conto com você para as mudanças que pretendo fazer", "olhe, fique com o número do meu celular reservado e ligue a hora que quiser", "tenho planos junto com você para o futuro", "abra os olhos, fulano, sicrano e aquele outro, só querem prejudicá-lo".
E por aí vai.
Na primeira chance, quando todos imaginam que o caminho é um, poucos percebem que o caminho é outro.
Até mesmo aquele discípulo fiel que foi deixado, tão somente, com a broxa nas mãos. Atônito, não consegue nem guardar rancor. Busca respostas no destino.
E segue a vida.
 
ER     

MOMENTOS MÁGICOS


DELAÇÃO PREMIADA

Eu, abaixo qualificado, admito que nunca li nenhum livro do Paulo Coelho, do Chico Buarque e do José Sarney.
A última novela que assisti, aos trancos e barrancos, foi "Roque Santeiro", com os Duartes, Lima e Regina.
Não conheço e não sei nenhuma música de sertanejos universitários. Não escuto pagode e tenho certa birra da cantora Alcione.
Aprecio músicas sertanejas de raiz, blues, jazz tradicional, Beatles e samba da velha guarda.
Gosto dos antigos Gil, Caetano, Chico, Elis, Gal e Rita Lee.
Não tomo conhecimento do programa BBB e curto antipatia gratuita pela Xuxa. Ah ! não escuto nada narrado pelo Galvão Bueno.
Não gosto de pizza, exceto quando acompanhando o arroz.
Confesso que aprecio bife de fígado acebolado, dobradinha, miúdos de frango e água mineral com gás.
Frequentam, com frequencia, a  primeira fila, o arroz doce com canela, doce de abóbora com côco. Penso que chocolate com morango não tem a ver.
Uso a mesma marca de sapatos e chinelos há centenas de anos. Roupas tão somente de algodão e quanto mais velhas e usadas, melhor. Me apego.
Já passei pela emoção de um cateterismo e a a solidão de uma UTI. Não gostei, como também me é difícil encarar uma injeção.
Não faço ultrapassagens em locais de risco e não ultrapasso os 120 kms/hora.
Já aceitei depósitos em minha conta bancária, sempre em contrapartida a serviços comprovadamente prestados. Acredito num ter sido corrupto, admito porém, Em algum momento da vida, ter agido do lado oposto. Não deveria.
Me posiciono sempre na oposição, mesmo quando no governo que participei. 
Considerando os benefícios da delação premiada, confesso que votei no Fernando Collor.
Creio que posso almejar a transformação da minha pena em prisão domiciliar, a qual, por minha inteira decisão, já cumpro. Certamente acompanhado por pessoas queridas.
Da parte que me toca, não tenho ex-amigos.
 
Viver é Perigoso


QUINZE DE NOVEMBRO

 
Dia 15 de novembro. Era bom porque não tinha aula. Melhor ainda porque era a data marcada para a colocação dos enfeites de natal.
Um casarão na Boa Vista, durante muitos anos, destacou-se e "dava corda" na imaginação da meninada.
Família reservada. Pais sérios e jovens filhos bonitos e educados.
Cortinas da sala entreabertas permitiam vislumbrar as pálidas luzinhas na árvore de natal. Uma chaminé no telhado dava indícios da exixtência de uma lareira.
Todas as noites o som suave de uma vitrola trazia para a rua canções natalinas.
Ouvia-se Frank Sinatra, Bing Crosby, Nat King Cole e nos últimos anos, Rita Pavone cantando o doce Bianco Natale.
A vida sonora atenuava sensivelmente após o dia 25 de dezembro, até chegar a tristeza geral no dia 6 de janeiro. Dia de Reis. Dia do desmanche.
Presentes chegavam em belíssimos embrulhos. Nas vésperas, dois carregadores entregavam uma enorme cesta de natal.
Risos, estouro de garrafas de champanhe, aromas de frutas e assados.
Ruídos alegtres e intensos, possivelmente, por ocasião da revelação do amigo secreto.   
Numa tarde de inverno o barco passou por lá e levou um passageiro de cabelos brancos e olhar doce.
A casa ficou em silêncio.
O pessoal mudou ou mudou-se. Natal não teve mais.  

ER

QUEM QUER APOSTAR ?