segunda-feira, 21 de abril de 2014

PRÁ PENSAR


AGORA

Foram fortemente exagerados os rumores a respeito da iminente chegada do país do futuro ao primeiro mundo. Aqui e ali ainda sobrevivem alguns pálidos, erráticos e por vezes furiosos resmungos que denunciam os vestígios da existência e morte destes rumores infundados.
O país do futuro, com os pés fincados e firmemente atados ao presente, e os olhos irremediavelmente voltados ao passado, permanece impávido colosso de sonhos abandonados. A colisão inevitável entre os delírios de grandeza e a realidade bruta evidenciou a distancia entre intenção e fato.
Gerou em barulho e fúria. Produziu bastante calor e nenhuma luz. Logo acalmou. Virou incredulidade, descrença, desilusão. E, finalmente, adormeceu na forma de magoa sufocada pelo silêncio. Ausente aos olhos, mas concreta e palpável no coração. O gigante permanece deitado, talvez eternamente, em berço esplendido, onde dorme sono profundo e inabalável.
Agora, a inflação não cede. O país não cresce. O transito não anda. O trem não tem. A energia não vem. A água não chega. A festa acabou. A luz apagou. O povo sumiu. A noite esfriou. Não veio a utopia. Tudo acabou. Tudo fugiu. Tudo mofou. Já não dá para esconder. Já não dá para sorrir. Fugir já não pode.
E com o olhar cada dia mais longe, todos ficam a aguardar, a chegada em data incerta e desconhecida, do futuro glorioso. Enquanto o amanha não chega, resta o hoje. O agora. E é neste agora que chega a conta dos desatinos passados.
Triste. Como toda ilusão que acaba.

Elton Simões (para o Noblat)

EXALTAÇÃO A TIRADENTES


DESEJO NÃO REALIZADO


Considerado o maior Herói Nacional, com o nome inscrito em primeiro lugar no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade, Tiradentes é um mistério quase completo. Do Patrono Cívico do Brasil, cuja data da morte, em 21 de abril, foi transformada em feriado nacional, nem o dia do nascimento é conhecido. Sabe-se apenas que Joaquim José da Silva Xavier nasceu na Fazenda do Pombal, em Vila de São José do Rio Mortes, atual cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, tendo sido batizado em 12 de novembro de 1746.
Aos onze anos, com a morte prematura dos pais e a perda dos bens da família por causa de dívidas, teria ficado sob a tutela de um padrinho, chamado Sebastião Ferreira Leitão, que era cirurgião dentista.
Aprendeu noções práticas de cirurgia e odontologia e começou a ajudar o padrinho no trabalho, ficando conhecido na Vila de São José Del Rei com a alcunha de Tiradentes. Trabalhou também como tropeiro, mascate e minerador. Em 1775, alistou-se na 6ª Companhia de Dragões da Capitania de Minas Gerais, onde se tornou Alferes.
Em Vila Rica, atual Ouro Preto, começou a participar da Conjuração Mineira, um grupo de conspiradores, descontentes com os desmandos da Coroa.
Deste grupo faziam parte pessoas de grande projeção em Minas Gerais. A Conjuração, no entanto, foi delatada antes mesmo de sua deflagração, e todos os assim chamados inconfidentes presos, à exceção do Alferes, que havia viajado para o Rio de Janeiro.
No dia 10 de maio de 1789, Tiradentes foi preso, ficando incomunicável por aproximadamente três anos. Foi o único a assumir toda a responsabilidade pela Inconfidência, inocentando seus companheiros,sendo executado em praça pública no 21 de abril de 1792.
ER (web)