domingo, 19 de janeiro de 2014

POR UNS PELOS A MAIS

 
"...O mundo se divide entre homens que podem e não podem fazer transplante de cabelo. Cantores e atores podem. Para alguns, é questão de sobrevivência profissional. Políticos não podem, assim como não podem pintar os cabelos. Isso devia estar na Constituição. Como não está, eis aí mais um item a ser incluído no rol da sonhada reforma política. Duas subcategorias podem menos ainda do que o comum dos políticos. A primeira é a dos que gostam de ares de revolucionários. José Dirceu, por exemplo. Ao se apresentar para a prisão, ele fez o gesto de desafio comunista do braço levantado e do punho fechado. Meses antes, havia se submetido a um transplante de cabelos, por sinal com o mesmo doutor Fernando Basto que atendeu Renan e é o preferido dos políticos. Difícil imaginar Che Guevara marcando hora com o doutor Basto, ao descer da Sierra Maestra.
A outra categoria é a dos senadores. Transplantar ou pintar cabelos é algo que se tornou epidêmico entre os políticos brasileiros. Alguns transplantam e, ainda por cima, pintam. Se  tal prática já é preocupante em deputados, ministros ou governadores, mais ainda se torna entre senadores. O Senado, por definição, é o local dos mais velhos, e, por isso mesmo, dos que se supõem mais experientes e mais sábios, entre os encarregados de zelar pela pátria. A palavra tem a mesma raiz de senhor, de senhorial, de senhoril, de sênior, e todas remetem à austeridade, à prudência e a sensatez identificadas com o passar dos anos. Ora, pintar ou implantar cabelos é, antes e acima de tudo, um ardil destinado a falsear a idade. É portanto tentar dar um drible na senhoria, na senioridade e na senhorilidade em que repousa a própria ideia de Senado. Senador que pinta ou transplanta o cabelo fere o princípio fundador da instituição a que pertence. Com isso, entra em conflito com ela, apequena-a e desmoraliza.
...O grande escritor brasileiro, Mário de Andrade, calvo notório e precoce, já aos 30 anos, escrevia: "Muito de indústria me fiz careca / Dei um salão aos meus pensamentos".
Que ninguém se sinta ofendido, afinal há transplantados e transplantados, mas pela lógica do poeta, ao qual adere o colunista com entusiasmo de irmão em cocoruto abandonado à própria sorte, Renan Calheiros fez o contrário: estreitou os cubículos pelos quais vagueiam seus pensamentos."

Roberto Pompeu de Toledo - Veja

REELEIÇÃO: ORIGEM DE QUASE TODOS OS MALES

 
"Sou defensor do fim da reeleição. Não é possível que o país, os estados e os municípios fiquem reféns de projetos eleitorais. No vale-tudo partidário, mais 4 anos de mandato são mais importantes que as soluções que a população precisa. Defendo mandato único para cargos executivos e eleições casadas. Porque todo ano no Brasil é eleitoral ou pré-eleitoral. E o país vive em função das urnas. Com eleições casadas, evitamos também que um político deixe o mandato no meio para concorrer a outro cargo"

Eduardo Campos

PORQUE HOJE É DOMINGO