sexta-feira, 8 de novembro de 2013

SOB A LUZ DE VELAS

 
 
Estamos usando nosso cérebro de maneira excessivamente disciplinada, pensando só o que é preciso pensar, o que se nos permite pensar."

José Saramago

ROEDORES



A Petrobrás fechou com a construtora Odebrecht, em 2010, um contrato no valor de US$ 825,6 milhões, o qual é investigado por suspeita de superfaturamento. O contrato para serviços na área de segurança e meio ambiente em dez países incluiu pagamento, na Argentina, de R$ 7,2 milhões pelo aluguel de três máquinas de fotocópias; R$ 3,2 milhões pelo aluguel de um terreno próprio e salário mensal de pedreiro de R$ 22 mil.

Estadão

MACUMBA

Diziam na Boa Vista que ele era descendente direto da Dona Berta. A célebre fundadora do famoso Quilombo da Berta, que existiu na região da Pedra Vermelha, lá pelas bandas da Anhumas. Lá se refugiaram os mais rebeldes escravos do Sul de Minas. Guerreiros.
O homem tinha dois metros e tanto de altura. Era cor de um negro, quase chegando no azul.
Era uma fortaleza.
Trabalhava como free-lancer (chic) como chapa, descarregando caminhões e de vagões de trem da Rede Mineira Viação.
Enquanto viveu, nenhuma empresa da cidade chegou a pensar em empilhadeira elétrica, à gás, ou à gasolina. Prá que ? Era só chamar o Macumba.
Macumba era o seu nome e sobrenome. Nunca teve carteira de identidade e muito menos título de eleitor.
Morava solitário num quartinho na volta da linha.
Ninguém jamais o viu sorrindo. Cara fechada, mas com um bom ar.
Nunca tomava a iniciativa da fala. Só respondia com monossílabos que soavam quase como grunhidos.
Pois bem, vamos ao caso.
Estava de passagem pela cidade, instalado no Bairro do Estádio, na esquina de baixo do Clube Itajubense, o Gran Circo Mexicano, cuja principal atração era um lutador de boxe chamado por Kid Demolidor.
Armavam um ringue no picadeiro, logo após as apresentações convencionais de todos os circos, e entrava saltitante, sob a luz dos holofotes, o esculpido Kid.
Os adversários eram da cidade. Homens fortes estimulados por um prêmio de Cr$ 5.000 se aguentassem de pé, um único round.
Nunca ninguém levou a grana. Achar adversários tornou-se uma dificuldade.
No domingo, na despedida do circo, ofereceram Cr$ 10 mil para quem ficasse em pé, um round só.
Um estudante do IEI, parece que de Três Corações, teve  a brilhante ideia de tentar convencer o Macumba a encarar o desafio. O convencimento, ao ser mencionado o prêmio de dez contos, aconteceu rápido.
O próprio estudante, se apresentou como técnico do gigante de ébano itajubense. Providenciou-se calção, tênis e meias na cor preta e instruções sobre as regras da chamada nobre arte. 
Circo lotado e o Macumba com cara de assustado. Esclarecendo: O mexicano (?), mesmo marombado, era a metade do nosso Macumba.
Depois de todo o cerimonial de apresentação, bandinha tocando um animado dobrado e etc, o sino bateu e começou o combate.
O Macumba ficou meio parado no meio do ringue, só olhando. O Kid, jabeava no vazio, girando ao redor do nosso conterrâneo. Um minuto se passou (para os leigos, o assalto ou round, tem a duração de três minutos) e nada. O gringo bailando com leveza e socando o ar, enquanto o negão só olhava.
Silêncio absoluto no respeitável recinto.
Foi quando aconteceu.
O mexicano soltou um cruzado de direita daqueles de desmontar boi carreiro. Pegou no queixo do Macumba, que com enorme estrondo foi ao chão.
Do jeito que caiu ele levantou. Parecia um boneco "joão bobo". Fisionomia transtornada de guerreiro zulu de filme.
Avançou em direção do mexicano e para surpresa geral, principalmente do gringo, deu um sem-pulo (violento chute) direto na zona de recreação do adversário, que virou os olhos, balbuciou algo não compreendido e desabou de bruços.
Mesmo totalmente fora da regra, o tremendo golpe levantou a plateia.
Seis políciais militares, de serviço no local, seguraram e arrastaram o Macumba para fora do circo. Foi levado para a cadeia na Rua Nova.
A ambulância do Samdu chegou para levar o ex-demolidor, ainda em coma, para a Santa Casa.
O estudante de Três Corações foi visto escapando por debaixo da lona.
Macumba, que era conhecido por carregar dois sacos de farinha de trigo de uma só vez, ficou também conhecido como destruidor de um.
É a vida.
 
ER























VAI FERVER !

 
Ouvido hoje na fila de caixa do Alvoradão, na Boa Vista, é claro:
 
- Ô Cumpadre, você leu a notícia que até o final deste ano, 8 bairros terão acesso a internet grátis ?
 
- Li e tirei o chapéu pela coragem do Prefeito.
 
- Por que coragem ? Foi promessa do Rodrigo desde a penúltima campanha. Promessa é dívida.
 
- Não é isso cara. Você já imaginou essa moçada toda entrando no Facebook, nos Grupos "Itajubá Reclama", "Itajubá Depressão" e outros que atuam na mesma linha ? Pau puro. Elogios ? Never. E pior, quando descobrirem e entrarem para os "anônimos" do Viver é Perigoso.
 
- Uai...não tinha pensado nisso. Será que a empresa responsável não poderia bloquear o acesso a esses sítios inconvenientes ?
 
- Já devem ter pensado nisso.

ER

 

PHOTOGRAPHIA NA PAREDE


Fotografia feita em 1969 por Henri Cartier-Bresson mostra uma senhora olhando  para uma jovem de minissaia, ambas sentadas no terraço do restaurante Brasserie Lipp, em Saint-Germain des Pres, em Paris. 
 
ER

FRASE ABOBRINHA DO DIA

 
 
"É absurdo paralisar uma obra. É algo extremamente perigoso. Depois ninguém repara o custo. Para e ninguém ressarce o que foi perdido. Mas vai ficar pronta e vamos inaugurá-la"

Dilma

EM QUE OS BRASILEIROS NÃO CREEM ?

Os resultados de uma pesquisa nacional feita pela prestigiada Fundação Getúlio Vargas poderia fazer pensar que os brasileiros não acreditam em nada.
De fato, os resultados sobre a fé e a confiança dos cidadãos em importantes instituições, como partidos políticos, o Congresso, a polícia, a Igreja católica, a imprensa e as Forças Armadas, levaria a pensar que os brasileiros se tornaram descrentes totais. Mas isso não é verdade.
Segundo a pesquisa, só 4.9% confiam nos partidos políticos. A maioria, 95,1%, não confia em nenhum deles. Apenas 19,5% acreditam no Congresso, sustentáculo da democracia e da participação popular na gestão pública, e 81,5% o rejeitam. A política não se sai muito melhor: só 29,9% confiam nela e 70,1% a rejeitam.
O mesmo ocorre com a mídia que, no passado, era uma das instituições mais valorizadas. Hoje, só 29% confiam na televisão e 71% a rejeitam. A imprensa escrita e digital aparece um pouco melhor, rejeitada por apenas 62%, e com 38% que confiam nela.
Até as Forças Armadas, que anos atrás eram a instituição em que os brasileiros mais depositavam a sua confiança, desceram na apreciação da população. Hoje 65,4% confiam nelas, enquanto 34,6% as rejeitam, o que indica, contudo, que continuam sendo a instituição melhor considerada.
Eles acreditam em valores opostos aos que recriminam nestas instituições, como o alto grau de corrupção dos políticos e da polícia e a falta de proximidade com as pessoas.
Em contraposição, os brasileiros, sobretudo os mais pobres, continuam acreditando na instituição da família, cada vez menos tradicional em todas as formas que adquire hoje.
Eles acreditam nos valores da solidariedade, nos espaços de liberdade para desfrutar a vida e o amor, e acreditam cada vez mais nas suas próprias capacidades. Por isso buscam criar as suas próprias pequenas empresas, principalmente entre os jovens. Gostam de todos os espaços de distensão, da música ao esporte, o baile e o churrasco compartilhado com os amigos. Gostam de viver em companhia, de partilhar experiências. Acreditam na força da comunicação, daí a sua presença crescente nas redes sociais. 
Gostam até de política, mas não a dos partidos. Preferem as ONGs, principalmente as que trabalham em ambientes sociais negligenciados pelas instituições estatais. Os brasileiros sabem desfrutar com o pouco ou muito que têm ao seu alcance. Dos políticos profissionais, apesar de não confiar neles, tentam tirar o maior partido possível, conquistando alguns para que “lhes deem uma mão”. Depois de usá-los, continuam desconfiando deles.
Nisso, se parecem, por exemplo, com os italianos: votam naqueles que sabem serem mais inclinados a “fazer favores”. Como na Itália, onde não se dá um passo sem um “padrinho”, no Brasil, paradoxalmente, ainda confiam na ajuda pontual do político ou padrinho em turno. Ficou famosa a afirmação irônica do romancista João Ubaldo, por exemplo, de que no Brasil era difícil que o movimento dos “indignados” pegasse, porque o sonho dos brasileiros é “ter um político corrupto” na família para resolver as suas pendências e problemas.
Por fim, acreditam no que lhes traz bem estar e felicidade. É pouco?

 (Resumo) El Pais - Juan Arias
Tradução de Cristina Cavalcanti

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