quarta-feira, 7 de agosto de 2013

FAZ SENTIDO


NOVA ITAJUBÁ

O Ministério da Saúde divulgou ontem os nomes dos profissionais que confirmaram a participação no programa "Mais Médicos", do governo federal. Em todo o país, apenas 938 profissionais foram selecionados para o primeiro ciclo de contratações, o que representa 6% dos 15.460 médicos requisitados pelos municípios inscritos.
No Sul de Minas, 71 municípios pediram ajuda, mas apenas Itajubá e Passos vão receber os profissionais. 
Para a terrinha, virão as médicas:

Adriana Schalkwijk Ribeiro
Marielle Brito Araújo
 
Blog: Por enquanto, outros 69 municípios mineiros que estão em dificuldades na área, permanecerão aguardando ajuda. Para preencher a lacuna existente na cidade com o melhor IDH do Sul de Minas e o quarto lugar em Minas Gerais, virão duas médicas. Seriam formadas aqui na FMI ? 
Agora vai.
 
ER
 
 
 
 

UMA VIDA EM CHORO


Pouco antes deles casarem,
Ele chorou. Como nunca tinha chorado na sua frente. Contrariando a máxima de que homem não chora.
Ela não chorou. Aguentou firme. E jogou pro alto a ideia que mulher chora por qualquer coisa.
Ele chora as vezes.
Ela por muito tempo não chorava fácil.
Ele viu sua mãe chorar muitas vezes.
Ela nunca viu seu pai chorar.
Ele viu seu avó chorar apenas uma vez, quando o Brasil ganhou alguma uma medalha olímpica, e ficou emocionado com o choro dos atletas.
Ele raramente chora ao final de um filme.
Um final feliz é uma das coisas que faz Ela chorar.
Ele já chorou quando seu time perdeu um campeonato.
Ela jamais choraria por um time.
Ele nunca chorou até dormir.
Ela já considerou um hábito chorar até dormir.
Ele já chorou por não conseguir sentir saudade.
Ela já chorou por saudade.
Ele nunca chorou ao final de um livro.
Ela já viu suas lágrimas mancharem as páginas de vários livros.  
Ele já evitou chorar na frente dos outros.
Ela já chorou escondida no banheiro da escola.
Ele já chorou com medo da solidão.
Ela já chorou por não ter espaço, e quis ficar sozinha.
Ele já chorou por cansaço.
Ela já chorou por tédio.
Ele chorou quando descobriu que ela estava grávida.
Ela chorou quando ele pediu o divórcio.
Ele chorou ao saber que seu filho preferia o padrasto.
Ela chorou quando o viu nos braços de outra.
Ele chorou no dia que ela descobriu a doença.
Ela chorou quando curou-se.
Ele chorou quando ela ligou pedindo para voltar.
Ela chorou com a resposta negativa.
Ele chorou na missa de formatura do filho.
Ela chorou na colação de grau.
Ele chorou muito na morte da mãe.
Ela chorou muito na morte do pai.
Ele já não chora como antigamente.
Ela chora mais nos momentos felizes.
Na semana passada na fila para ver uma peça Eles se encontraram, cada um com sua respectiva família.
Eles choraram durante a peça.
Ele disse que se identificou com o protagonista.
Ela com a antagonista.
Ele ainda chora por Ela.
Ela ainda chora por Ele.
Ela guarda uma caixa de lenços no porta-luvas do carro.
Ele também.
Pedro Riera - Filho da Cláudia e neto da Gilda e do Luzimar - Meu primo. Tem um blog bom de ver.

SOL E PENEIRA


Bloquear a luz do sol é sempre tarefa ingrata. Impossível se o instrumento escolhido for a peneira. Peneiras são porosas por desenho. Inadequadas a impedir a passagem da luz por destino. Mesmo assim, tampar sol com peneira é esporte ou ocupação comum.
Não é difícil entender a motivação. Quando a atmosfera se carrega de elementos que convertem más noticias de probabilidade a certeza estatística, negar a realidade é de uma inutilidade quase sempre irresistível, talvez tida como imprescindível, mas sempre e certamente inútil.
Negar a realidade e buscar lógica, argumentos e dados que corrompam a sua compreensão pode servir para convencimento de terceiros por algum tempo. Talvez mesmo ajude a anestesiar ou disfarçar a percepção. Potencialmente atrasa a reação.
Isso, claro, se de fato uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade, ainda que temporária. É responsabilidade de cada cidadão evitar que isto aconteça. Acesso à informação e educação parecem ser os melhores remédios.
Tapar o sol com peneira, tampouco, não parece ser uma boa estratégia de autoconvencimento. Enganar a si próprio nunca foi uma boa política. Fechar os próprios olhos e ouvidos aos avisos que brotam de todas as direções é sinal de surdez seletiva e não de inteligência. 
A negação dos fatos é provavelmente o primeiro passo para o naufrágio. É ali que começa o calvário daqueles que, não podendo encarar as verdades amargas e assumir a responsabilidade, se não pelas suas causas, pelo menos pelas suas soluções, recorrem a negação dos fatos que gritam por atenção.
Em se tratando de autoconvencimento, a repetição da mentira gera apenas a própria ignorância. Serve apenas de parafuso que penetra a popa do barco e ali prende firmemente a lanterna.
Quando os fatos contrariam a percepção, muda-se a percepção e, idealmente, o discurso. É melhor, mais barato e mais produtivo. Parte da cidadania é perdida quando a luz que vaza pelos poros da peneira é distorcida por lentes coloridas, e chega à mente já poluída de intenção.

Elton Simões mora no Canadá. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria) - P/ o Noblat