domingo, 24 de fevereiro de 2013

MOÇA BONITA

Bem me quer

É DISCO QUE EU GOSTO


ENCONTROS IMPOSSÍVEIS

Golda Meir e Mahmoud Ahmadinejad

PORQUE HOJE É DOMINGO

Da amiga Helem Sandra,

Algumas almas saem da fábrica de Deus com um plus. Uma dose extra de doação, de gentileza, de uma vontade gratuita e inexplicável – em dias em que produzir é a palavra de ordem – de estar com o outro, sem a pretensão de ensinar ou convencer, mas pela simples alegria do contato com outro ser humano.
Essas pessoas não se transformam em noticia de jornal, mas costumam ser lembradas pelas ações miúdas do dia a dia. Sabem imprimir a elas uma dose extra de alegria de viver que as fazem ser lembradas, não pelos grandes feitos, mas por aqueles lampejos de luz em ambientes nublados por pessimismo ou negatividade.
São pessoas cujos olhos denunciam: vieram da fábrica com 200ml a mais de humanidade. Fui abençoada por ter cruzado com alguns desses olhos iluminados durante a infância e ainda os reconheço, de quando em vez, por aí. Gente que deixa de presente um gesto, uma palavra ou um sorriso, e se vai, nem sempre consciente de diferença que faz. Pura gratuidade em dias duros, semeando esperança de que o ser humano pode ser melhor.
É minha avó, surpreendida a me olhar com compreensão, observando a menina de 4 anos falar sozinha num canto do quintal, indignada contra a bronca injustamente recebida...
É o maestro Potinho, figura respeitada na cidade, gastando seu tempo de ensaiar a Banda Santa Cecília para mostrar-me seus novos arranjos e me explicar com paciência o que é um dobrado. Empolgado, de olhos marejados, a detalhar histórias da Paraty da sua juventude. Ou ainda, divertido, contando histórias de assombração...
É a japonesa da papelaria que virou minha amiga e fez marias-chiquinhas na menina tímida de 8 anos, cliente feliz a comprar a lapiseira que mais ninguém teria na classe, e de lá saiu com o embrulho e um presente: as cores vivas da linda paisagem de por do sol na beira da praia daquela terra misteriosa do outro lado do mundo...
É a vizinha mineira que me presenteu com um pé de avenca, sorriso de menina imune ao peso dos anos, ensinando os mistérios, até hoje ocultos para mim, de fazer a mudinha pegar, de fazer a vida brotar numa latinha decorada... Muito mais do que os professores e suas verdades absolutas, foi essa gente simples que ensinou à menina que vive em mim o quanto podemos ser luz, oferecendo mais do que o outro espera, com aqueles 200 ml a mais de humanidade.
 
Helem Sandra 

NÃO APITA NADA