segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SOB A LUZ DE VELAS

 
"O número dos nossos inimigos varia na proporção do crescimento da nossa importância. Acontece o mesmo com o número dos amigos."

Paul Valéry

NÃO VEM QUE É LONGE

Baile beneficente no salão de festas de um colégio em Brazópolis.
Janeiro chuvoso no início dos anos 60.
No palco o Conjunto pop (na época poucos sabiam o que significava isso. Hoje, todos sabem que é tudo o que toca),Cry Babyes, de Saõ José dos Campos. Garantia de boa música.
Como ninguém da engenharia tinha carro (privilégio dos magnatas da medicina), o jeito foi organizar uma lotação numa kombi. Umas 38 pessoas bem acomodadas.
Todos, exceto o motorista, de terno com calça "pega-frango" e gravatinha de cadarço. Era a moda.
Imperando no ar, água velva e perfume lancaster. 
Uns quatro vivaldinos quiseram economizar a grana do ingresso e entrar pelos fundos do colégio. Era só saltar um murinho de nada.
Realmente. Do lado que dava para a rua, o muro tinha pouco mais que metro e meio de altura.
A escuridão ajudava, embora provocasse certa insegurança.
Os dez contos do ingresso seriam dedicados ao hi-fi e a cuba-libre. Muita classe.
O primeiro a saltar foi o intrépido Zé Moreira.
PQP ! Torna-se necessário um esclarecimento:
O muro fora construído na beira de um barranco (morros é que não faltam em Brazópolis). Se do lado da rua tinha 1,5 metros, do lado de dentro, que dava para o pátio do colégio, tinha uns 6 metros de altura.
Quando o Zé pressentiu a desgraça, foi agarrando desesperado na vegetação que cobria o paredão, constituida de frondoso chuchuzeiro e trepadeiras diversas, algumas dotadas de salientes espinhos.
O agarra-agarra diminuiu a velocidade de queda.
O barrão vermelho tornou o chão macio evitou que acontecesse maiores danos físicos.
O Celso, que seria o próximo a saltar, assustado com o barulho, gritou baixinho:
- Tudo bem ? Lá vou eu !
Foi quando o leal e sincero Zé Moreira berrou, ainda estatelado lá em baixo:
- Não vem que é longe.
É a vida...
 
ER

PREMEDITANDO O BREQUE

 
Os brasileiros se acostumaram a ver políticos, após assumirem cargos, se envolverem num lamaçal de mal-feitos.
Já faz parte.
Coube ao especialista PMDB inovar.
Renan Calheiros e Henrique Alves, que em breve serão coroados, respectivamente para as presidências do Senado e da Câmara, antes mesmo de sentarem no trono, já carregam uma ficha corrida de respeito (ou seria de desrespeito ?)
A gente merece.
 
ER
 
  

SANTA MARIA

Essa sensação de desconforto pela tragédia custa a ir embora. É aquela tristeza que incomoda, como um espinho que vai fundo a custa a sair. Vem em mente aquela terrível sensação de desperdício, de vidas perdidas em vão, de evitabilidade... Aquela perspectiva ilusória de que, caso estivesse por perto, poderia ter feito alguma coisa para ajudar. De pensar e repensar em desvios que poderiam ter sido tomados e que poderiam evitar um final tão infeliz.
Não existem culpados, existem consequencias de um desvio químico improvável chamado vida. E de um assombro biológico ainda maior chamado inteligência racional. A morte é assim, inevitável, insidiosa, silenciosa, matreira.
Por mais que ela frequente nossos dias e nos diga o quanto é infalível, custamos a aceitá-la. Talvez porque não há nada maior do que o milagre da vida.
Que pena.

Laissez Faire

JEJUM

SANTA MARIA