domingo, 23 de setembro de 2012

SÓ BEATLES


CANTINHO DA SALA

Luiz Cavalli

PRÁ PENSAR


Comece a preocupar-se com sua alma, se a possibilidade de derrota de um candidato adversário lhe proporcionar  alegria maior do que a que teria com a vitória do seu candidato. Algo está errado e não é pouco.

John Chair

UMA SABIÁ


Alguns guardam o Domingo indo à Igreja
Eu o guardo ficando em casa
Tendo um Sabiá como cantor
E um pomar por Santuário.
Alguns guardam o Domingo em vestes brancas
Mas eu só uso as minhas asas
E ao invés do repicar dos sinos na Igreja
Nosso pássaro canta na palmeira
É Deus que está pregando, pregador admirável
E o seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao céu só no final
Eu o encontro o tempo todo no quintal.

Emily Dickinson 

SORRIA, AQUI TUDO É ALEGRIA

Se o caro leitor não puder almoçar seu arroz com feijão, salada, bife e sobremesa, resolva o problema com uma folha de alface, duas ervilhas e um grão de milho. Pode não ser satisfatório, mas o caro leitor não deixou de almoçar. Se o caro leitor ganha muito pouco e está abaixo da linha da pobreza, resolva o problema com as estatísticas do Governo Federal: de acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidente Dilma Rousseff, quem ganha mais de R$ 291 mensais integra a classe média. Assim foi possível fazer com que 35 milhões de brasileiros se alçassem à classe média nos dez anos de Governo petista.

É simples assim: uma pessoa não precisa ganhar mais de dez reais por dia para entrar na classe média. Um casal que ganhe, em conjunto, R$ 582 mensais será também de classe média.

Pronto: no Brasil, só é pobre quem quer.

Mas há limites para ser de classe média. Quem ganhar a partir de R$ 1.019,10 por mês será de classe alta. A história de achar que classe alta é coisa para Eike Batista está errada: neste país em que se plantando tudo dá (especialmente notícias), até professor, mesmo ganhando o que ganha, pertence à classe alta. O pessoal que tem recursos para comprar deputado mensaleiro, dar carona de jatinho a quem toma decisões sobre concorrências, fotografar a esposa usando sapatos de sola vermelha, esse nem chega a ter classificação. Político corrupto, dos que trocam apoios por Ministérios, está tão alto que a verdade se restabelece sozinha: este não tem classe, nem categoria.

A classe média (de verdade) paga a conta.

Brickmann

NÃO DÁ PARA NÃO IR


 lomo saltado a lo pobre - by rack
Fomos e achamos espetacular. (Zelador)
 
RECONCITO PERUANO
 
Se você não acha um horror comer numa casa muito humilde de uma área degradada do centro. Se você tem algum espírito de aventura e é aberto a experiências gastronômicas e antropológicas, vá lá.
Você vai comer bem, gastar pouco e se divertir com a situação. Mas vá na hora do almoço.
Saiba, antes de sair de casa, que este é um passeio à cracolândia. Não se esqueça de levar o endereço anotado, pois não há placas. E suba sem medo a escada que parece levar a uma boca de fumo ou prostíbulo. Lá em cima o clima é amistoso, com famílias peruanas assistindo TV peruana em mesas com toalha de plástico.
Ceviches (peixe cru marinado em limão), alguns pratos tradicionais peruanos, cozinha chifa (sino-peruana), nikkey (nipo-peruana) e criações de inspiração andina, com ingredientes importados pelo dono do restaurante (milho roxo, batatas secas…).
Servidos como aperitivo ou prato principal, os chicharrones de calamares (R$ 25) são lulas à dorê bem crocantes e sequinhas, servidas com batata frita e uma saborosa salada de cebola, tomate e coentro.
O lomo saltado a lo pobre (R$ 14, porção facilmente compartilhada) tem carne em tiras, tomate, cebola e batata frita, tudo isso misturado e regado com um molho escuro. Acompanha arroz e banana-da-terra-frita. Por cima de tudo, um ovo frito que (ponto para o Riconcito!) vem com a gema mole sem que ninguém precise pedir assim.  
 Garçonetes jovens, muito gentis, que pouco sabem falar português. Elas aguardam do lado da mesa atá que você leia todo o cardápio, tire suas dúvidas e faça o pedido.
 
(rua Aurora, 451, Centro, São Paulo, tel. 8974-2965)
 
(Marcos Nogueira-Vip)

UM ESPANTO !