terça-feira, 13 de março de 2012

SOB A LUZ DE VELAS

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada 
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

ER

NÃO CHORE, CONTINUE CANTANDO


Próximo do fim, aos 36 anos, Bob Marley se encontrava tão exaurido pela doença que implorou: "Deus, por favor, me leve de uma vez." Sua mulher Rita contou que o abraçou e cantou até que começou a chorar. Bob Marley a olhou e, com um fiapo de voz, disse: "Não chore. Continue cantando."
Marley não cantava sobre como seria fácil obter a paz no mundo, mas antes sobre como é fácil o caminho que leva muitos de nós ao inferno na terra. Ele conhecia as circunstâncias sobre as quais cantava. Suas canções não eram sobre teorias ou conjecturas, ou uma paixão fácil, a distância: suas canções eram suas memórias; ele viveu com desventurados, viu opressores  e suas vítimas, levou um tiro e provavelmente levaria outros. Sua habilidade única em descrever tudo isso de maneira palpável e autêntica era o que prendia a nossa atenção e dava sustentação a sua obra.

(extraído de crônica de Mikal Gilmore)

ER

PASTORES E LOBOS


Extraido do texto do Osmar Ludovico da Silva, publicado no Boletim Dominical da Igreja`Presbiteriana de Mogi Guaçu (Pr. Junior)

Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas e vivem perto delas. No entanto não é difícil distinguir entre pastores e lobos.

Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.
Pastores vivem a sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.
Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.
Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.
Pastores apaziguam as ovelhas, lobos intrigam as ovelhas.
Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.
Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.
Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.
Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.
Pastores vão para o púlpito, lobos vão para o palco.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a instituição.
Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.
Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.
Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.
Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.
Pastores usam as Escrituras como texto, lobos usam as Escrituras como pretexto.
Pastores confessam seus pecados, lobos expõem os pecados dos outros.
Pastores pregam o Evangelho, lobos fazem propaganda do Evangelho.
Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.
Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.

Disse Jesus: "Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores." Mateus 7.15

Osmar Ludovico da Silva

COPA 2014

SALTO PARA A VITÓRIA

Will Claye, atleta americano de salto triplo, que conquistou a medalha de ouro no domingo em Istambul, no Mundial Indoor, com a marca de 17,70 metros, voltou para a pista carregando na mão direita, uma Bíblia azul com evidentes sinais de muito lida.
Um pouco recordando o gesto de um ministro batista Forrest Smithson Custer, que correu e venceu os 110 metros com barreiras dos primeiros Jogos de Londres em 1908.
O Brasil, foi o 11º colocado na competição em pista coberta, com uma medalha de ouro, conquistada no sábado por Mauro Vinícius da Silva no salto em distância.


ER