terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PERDIDO NO ESPAÇO

Depois de 50 anos resolveu vir passar o natal na terrinha. No Brasil, durante todo esse período esteve duas vezes em São Paulo. Viagens rápidas a trabalho. Desde a volta para o seu Peru, onde dedicou sua vida numa empresa mineradora, casou e se enviuvou e sem filhos, fugiu sempre de notícias da terrinha, onde conseguiu seu diploma de engenheiro eletrotécnico pelo IEI.
Também voltar como ? 
Começou a namorar a Clotilde no baile do miss bicho ali pelos meados dos anos 50. Aliás, sua primeira namorada. Cabelo tipo escovinha, pele de cor indefinida e olhar assustado, foi atingido pela síndrome da beleza, que durante muito tempo assolou Itajubá. Era provocada pelo uso de uma tal jaqueta azul escuro, com o escudo do famoso instituto de engenharia bordado do lado esquerdo do peito.
Com três meses de namoro passou a tomar as refeições na casa da sogra. Almoço e janta eram sagrados, além do lanche noturno, após a sessão de namoro.
O café da manhã, pingado acompanhado de pão com manteiga encarava nas padarias e a vitamina do Sr. Edgar com uma lasca de bolo, salvava as tardes modorrentas de aulas práticas.
Cinco anos nesse bem bom.
Excepcionalmente recebeu o seu diploma, diretamente do Diretor, uma semana antes da festa oficial, para a qual, a noiva e toda a sua família esperavam com ansiedade.
Afinal o investimento fora alto e seria compensado em breve com o casamento.
Foi avistado pela última vez num ponto extra do Pássaro Marron, em frente ao mercado, logo pela madrugada. Não portava bagagens. Embarcava tão somente com a sua calça Lee e a sua, já desbotada, jaqueta azul.
Como se pode imaginar, houve choros e ranger de dentes. Mais ranger de dentes.
O homem sumiu. Uns achavam que era Boliviano (a embaixada não confirmou). Outros tinham certeza que era panamenho (as autoridades também não confirmaram).
O pessoal do Bar Sete de Ouros, onde costuma jogar um bilharzimho, jurava de pés juntos que o acadêmico era amazonense e o ligeiro sotaque castelhano era puro golpe.
Sei lá!
O certo é que a Clotilde, depois de muitas lágrimas e reconfortada pelo ódio da mãe pelo ex-namorado, se ajeitou com um sargento do batalhão, boa pessoa, constituiu família e parece que vive bem em Três Corações.
No último sábado, num Pálio alugado, o desertor buscava informações num posto de gasolina da terrinha.
- Como faço para chegar no Grande Hotel ?
- Moço, disse o frentista, Grande Hotel não tem mais não. Por que o Sr. não tenta o Hotel Coroados ? Dizem que é bom.
- E onde fica isso ?
- No BPS
- E onde fica esse tal de BPS ? Bom, depois eu localizo. Vou matar a saudade e almoçar agora lá no Bar Acadêmico.
 De novo o frentista: - Moço, esse bar não existe mais.
- Tudo bem, almoço no Ponto Chic, ou no Café Royal, ou mesmo no Marabá.
- Moço isso tudo já fechou.
-PQP e o Pé de Porco ?
Com um sorriso o funcionário concluiu: Esse tá firme lá e a bóia continua de primeira.
Antes de ligar o carro fez a última pergunta:
- Você conhece o Roberto Lamóglia ? Foi um grande colega e amigo
Disse o rapaz de bate-pronto:
- Claro ! Tem um fazendão lá pelas bandas de Piranguçu.
E acenando da janela do veículo:
- Irei procurá-lo.

ER.
    

MOÇA BONITA

Super Gisele

ENTRE BATENDO

LIVRO: PRESENTE DE AMIGO

A PARISIENSE
O guia de estilo de Ines de la Fressange, escrito em colaboração com Sophie Gachet

Na realidade o livro estava sendo lido pela Rachel (terminou no sábado). Dei uma folheada, gostei e li numa tacada só. Aprendi um bocado sobre moda e tendências, além de dicas interessantes sobre Paris. Hospedagens, alimentação, etc. Tudo fora do tradicional roteiro dos guias práticos.
Ines de la Frassange é um ícone da elegância na França.
Curiosidade: Ela não é parisiense. Nasceu em Saint Tropez.
Leitura obrigatória para as mulheres e boa para os homens adquirir um conhecimento mínimo necessário para  sobreviver.
Em tempo: O livro encontra-se na lista de best-seller do New York Times. 

ER