quinta-feira, 16 de junho de 2011

SOB A LUZ DE VELAS

Fiquem tranquilas as autoridades. No Brasil jamais haverá epidemia de cólera. Nosso povo morre é de passividade.

Millor

ATITUDE


A covardia coloca a questão: 'É seguro?'

O comodismo coloca a questão: 'É popular?'

A etiqueta coloca a questão: 'é elegante?'

Mas a consciência coloca a questão, 'É correto?'

E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.

Martin Luther King



UM DIA DESSES...



Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar.

Drummond de Andrade

SAI LEI 8.666 ENTRA 171


Imaginem: Com obrigações e até certo controle, a corrupção é desenfreada nas obras públicas. Praticamente caminhamos para a liberação geral. Vale tudo !

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem, o texto básico da medida provisória 527, que incluiu as regras que flexibilizam as licitações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. A medida dribla parte das regras da Lei das Licitações e cria o chamado RDC (Regime Diferenciado de Contratações). Segundo seus defensores, a novidade poderá agilizar contratações para todas as obras de ambos os eventos.
O texto acaba com a exigência de apresentação de projetos básico ou executivo antes da licitação. Diz que o governo pode apresentar apenas um "anteprojeto de engenharia" e o custo de toda a construção fica a cargo do vencedor. Existe a possibilidade de os municípios contratarem empréstimos para obras da Copa e da Olimpíada até 31 de dezembro de 2013 sem que isso aumente seu limite de endividamento apurado com base na receita líquida real.

ER



CANTINHO DA SALA


Marc Chagall


DALTÒNICO NO COMPORTAMENTO

Duke no Ricardo Setti

O DIA EM QUE LANA TUNER SE APAIXONOU POR UM PILOTO BRASILEIRO

Por Antonio Contente

Gostoso de ler e, incrível, dá um orgulho na gente. Sabia do caso Marcos Carvalho? Guru de cinema do "viver é perigoso" 

"Aconteceu em 1943, no calor da Segunda Guerra e do verão amazônico. 
Durante a Segunda Guerra, os grandes astros de Hollywood dos anos 30 e 40 costumavam visitar as bases americanas espalhadas pelo mundo. Chegavam discretamente em vôos especiais das Forças Armadas americanas, faziam o que tinham que fazer e, discretamente, iam embora. Segundo a crença geral, o moral dos soldados crescia com a simples aparição dos artistas.
No Brasil, as bases americanas ficavam em Belém, no Pará, e em Natal, Rio Grande do Norte. Como os focos dos meus textos têm sido a primeira, os seus domínios é que foram o cenário de um empolgante caso de amor envolvendo uma das maiores estrelas americanas de todos os tempos.
Num dia gloriosamente claro do verão amazônico em junho de 1943, a enorme aeronave da US Air Force desceu na base. Desembarcaram os atores Kirk Douglas, Bob Hope e Dana Andrews, além das estrelas Joan Crawford e Lana Turner. Isso ocorreu pela manhã. Quando foi à tarde, pouco antes do crepúsculo, um pequeno avião de patrulha North America, o famoso NA que a nossa Esquadrilha da Fumaça usou por vastos anos, surgiu na linha do horizonte se preparando para pousar. Já tomara o rumo da cabeceira da pista; o piloto, todavia, arremeteu. Para logo fazer algumas piruetas sobre a base. Finalmente após a, se assim podemos chamar, exibição, o pequeno aparelho tocou o solo. Taxiou até um ponto onde estavam diversas pessoas. Entre elas o comandante da base e vários americanos. Apenas coadjuvantes da nossa história que então começa. Pois foi ao colocar os olhos sobre o piloto brasileiro a sair do cockpit do monomotor que a atriz Lana Turner, no vigor de seus vinte e poucos anos, mas já tendo emplacado alguns sucessos, entre eles a versão, com Spencer Tracy, de O Médico e o Monstro, estremeceu. Até porque o aviador, de fato, era um tremendo boa pinta. De colocar para escanteio qualquer ator americano, inclusive os presentes.
Na mesma noite em recepção com orquestra a tudo no cassino da base, o casal dançou. Não até o sol raiar, como muitos outros. É que, num determinado momento em que a lua se escondeu entre as nuvens, tomaram rumo para lugar incerto e não sabido, entre os arbustos que cercavam o prédio.
Daí por diante os acontecimentos se precipitaram. De um lado os brasileiros da base, inclusive o brigadeiro-chefe, acharam o máximo o romance do jovem piloto com a ascendente estrela; já os gringos torceram o nariz. Com o que, de resto, a beldade em nada se importou. E, enquanto seus colegas seguiam para outras bases no norte da África e Europa, ela se mudou para o Grande Hotel, o melhor da cidade, em frente à lateral do lindo Teatro da Paz. Acobertado pelos seus superiores, o brasileiro foi junto. Oficialmente como guia da visitante.
A continuação da história veio através de murmúrios e informações que não seriam difíceis de comprovar. A mais conveniente ao apetite insaciável das fofocas é que a estrela queria, a todo custo, levar o brazuca para Los Angeles. O argumento dele para a recusa teria sido o óbvio: não poderia, simplesmente, dependurar a farda e se mandar, pois seria considerado desertor.
- Terminada a guerra vou – teria prometido.
- Ora – veio a resposta –, depois desta guerra o mundo não será mais o mesmo.
Como na época não havia vôos comerciais entre Belém e os Estados Unidos, Lana embarcou para o Rio, onde teve em sua cola, porém sem resultados, os repórteres da revista O Cruzeiro, entre eles o famoso David Nasser. De lá a beldade se foi a bordo de um avião da PanAm.
Durante muitos anos sequer o nome do piloto/galã nacional se sabia. Porém a saga do breve romance já estava definitivamente inscrita entre os acontecimentos, reais ou romanceados, que permearam a estada dos americanos em Belém nos quentes anos 40.
Quem acabou por descobrir os detalhes finais do empolgante caso foi o professor aposentado da Universidade de Brasília, escritor e pesquisador Eldonor Pimentel, que está prestes a lançar um livro sobre os reflexos, no Brasil, do conflito que rolou entre 1939 e 1945. Ele encontrou o antigo piloto do romance com a estrela morando numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, de onde era oriundo. Ao ser procurado, num primeiro momento não quis falar nada. Porém, na continuação, o brigadeiro-do-ar reformado Orlando de Menezes Martins, do alto dos seus 80 e tantos anos, apenas confirmou os acontecimentos. O pesquisador, todavia, formulou a única pergunta que realmente interessava:
- E o senhor se arrependeu de não ter ido com ela para Los Angeles?
O antigo aviador, em vez de responder, levantou, abriu uma gaveta e tirou foto que entregou ao escritor. Ele olhou e murmurou, ante a imagem da jovem:
- Mas esta não é a Lana Turner.
- Claro que não. Porém é muito mais bonita, não acha?
- De fato, lembra um pouco a Ingrid Bergman do tempo de Casablanca.
- Era minha noiva, me esperava aqui na época da guerra.
Foi então que entrou na sala uma idosa senhora de cabelos brancos azulados e rosto a exibir traços de beleza que o tempo não apagou de todo. Trouxe para o marido chimarrão; para o visitante, café. Ao sair deixou no ambiente o leve aroma de um antigo, muito antigo talco pós-banho. Royal Briar…

Antonio Contente



MOÇA BONITA

Elizabeth Hurley

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