domingo, 23 de janeiro de 2011

QUE FALTA QUE ELA FAZ

Cheguei em São Paulo, convidado que fui para o aniversário. Água por tudo quanto é lado. Fiquei imaginando o show de bola que daria aqui na capital, um time de defesa civil que conheço.
Segundo o rádio (aqui todas recebem informações do CGE - Centro de Gerenciamento de Emergências), a cidade tem 35 pontos de alagamento intransitáveis. O Tietê está soltando água pelo ladrão.
Nesta hora conta muito a nossa experiência de Sul de Minas. 
E tome chuva.

ER

SOB A LUZ DE VELAS


“... Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.”

Rubem Alves

E(IN)VOLUÇÃO DA ESPÉCIE

Eu não só os conheci, como convivi com eles e, reparem, sobrevivi. 
No final dos anos 70, no decorrer dos 80, e até recentemente, eram intratáveis num debate e mesmo numa simples troca de ideia. Disciplinadamente treinados para atacar. Todos foram desestimulados  a ceder espaço para discussões por motivos óbvios. Ausência de argumentos.
A resposta precisa, certamente e de maneira simples, seria encontrada na jugular do questionador.
Como a senha dos japoneses no ataque a Pearl Harbor: Tora! Tora! Tora!
Até recentemente eram facilmente identificados pelo uso indiscriminado de calças jeans (símbolo do capitalismo), camisetas vermelhas com a "discreta" estrela, bolsa a tiracolo e sandálias franciscanas. Além da indefectível agressividade e da barbicha (só para os homens).
Agora vem o perigo:
Os anos no poder, o acesso aos cargos de confiança e a consequente justa e polpuda remuneração, propiciou o gosto pelas grifes, pelos bons vinhos e o pior de todos os males:
Tucanaram!
Acocoraram em cima do muro. Escapam sem agressividade dos questionamentos, com respostas firmes sem sentido. Convencem.
Estão cordatos, gentis e caminham com as mãos estendidas.
É o perfeito cruzamento entre o pernilongo urbano, com toda a sua malícia e resistência orgânica ao detefom, com o pernilongo silvestre, rude, agressivo e suicida. Deu o quê ? Vivacidade e raça.
Sinceramente, hoje me sinto à esquerda dos velhos camaradas. 
É pura verdade: A esquerda, no poder, endireita.
Eles estão espalhados entre nós. Você poderá estar recebendo um deles para almoçar hoje.
Não vejo saída. Se perpetuarão no poder.
Pura provocação.

ER 

PHOTOGRAPHIA NA PAREDE

(Araquem Alcântara - Dica Saulo)

ELES DISSERAM...

"...a cela é um lugar ideal para aprendermos a nos conhecer, para se vasculhar realística e regularmente os processos da mente e dos sentimentos. Ao avaliarmos nosso progresso como indivíduos, tendemos a nos concentrar em valores externos, como posição social, influência e popularidade, riqueza e nível de instrução. Certamente são dados importantes para se medir o sucesso nas questões materiais, e é perfeitamente compreensível que tantas pessoas se esforcem tanto para obter todos eles. Mas os fatores internos são ainda mais decisivos no julgamento do nosso desenvolvimento como seres humanos. Honestidade, sinceridade, simplicidade, humildade, generosidade pura, ausência de vaidade, disposição para ajudar os outros - qualidades facilmente alcançáveis por todo o indivíduo - são os fundamentos da vida espiritual.
O desenvolvimento de questões dessa natureza é inconcebível sem uma séria introspecção, sem o conhecimento de nós mesmos, de nossas fraquezas e nossos erros. Pelo menos - ainda que seja a única vantagem - a cela de uma prisão nos dá a oportunidade de examinarmos diariamente a nossa conduta, de superarmos o mal e desenvolvermos o que há de bom em nós. A meditação diária, de 15 minutos antes de nos levantarmos, é muito produtiva nesse aspecto. A princípio, pode ser difícil identificar os aspectos negativos em sua vida, mas a décima tentativa pode trazer valiosas recompensas. Não se esqueça de que os santos são pecadores que continuam tentando.

Nelson Mandela (conversas que tive comigo)

ER (você pode fazer isso toda manhã na sua cama, no seu quarto. Vale a pena)

OBSERVANDO O NÍVEL (DAS ÁGUAS)

Ouvido ontem na Estação Rodoviária:

- É, cumpadre, agora a coisa vai. O pessoal que vigia as enchentes assumiu o compromisso de, agora em diante, avisar todas as rádios e jornais sobre o perigo. Sem distinção nenhuma.

- Gostei. Num vai acontecer mais aquele sobe e desce dos móveis da casa.

- O chefe das enchentes disse mais: que só prá ficar bem documentado, a Futura FM e o Itajubá Notícias serão avisados do movimento das águas por carta registrada.

- É bom ver seriedade.

ER 

MINHA CASA...

SERRA DA BOA ESPERANÇA

Lamartine Babo recebeu de Boa Esperança, aqui no Sul de MInas, uma poética e apaixonada carta assinada por Nair Pimenta Oliveira. Queria ela fotografias do compositor para enfeitar seu álbum de recordações. Lamartine prometeu as fotos, desde que ela continuasse a correspondência. E assim durante uma ano, Nair e Lamartine trocaram quase cinquenta cartas, até que ela comunicou ao compositor que ia se casar e por isso não escreveria mais. Lamartine lamentou o final de um possível romance. Tempos depois Lamartine recebeu outra carta de Boa Esperança: o dentista Carlos Alves Netto convidava-o para a estréia de um Bando de Tangarás na cidade mineira. Pensando em conhecer sua antiga correspondente, Lamartine aceitou o simpático convite e em fins de julho de 1936 estava na pacata cidadezinha, pronto para prestigiar o conjunto de amadores.
Não foi difícil conhecer Nair, apenas uma menina, sobrinha do dentista que lhe confessou a história: colecionava fotos de artistas e escreveu a Lamartine para aumentar a sua coleção. Como o compositor não respondera, resolveu fazer uma carta "feminina", assinando o nome da menina de quatro anos.
O resultado desta confusão foi um samba-canção em homenagem à cidade: "Serra da Boa Esperança", logo transformado em clássico da música popular.
Ouçam Francisco Alves, o Chico Viola em gravação original em disco 78rpm


ER

PORQUE HOJE É DOMINGO

Estava saindo da minha casa na sexta-feira pela manhã, quando fui abordado educadamente, ainda no portão,  por uma jovenzinha que trabalha com evangelização  porta à porta. Disse ela:
- Moço, estou vendo a sua pressa, mas eu poderia deixar uma sugestão para o senhor ler na Bíblia ?
- Sim, eu respondi. Qual seria o trecho ?
- Ela respondeu: Apocalipse 21, 4 e 5

Para vocês:

"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está sentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras."

ER