segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

FRASE ABOBRINHA DO DIA

"O que prejudica a nossa liberdade de imprensa é a mania de certos cidadãos se defenderem quando são atacados."

(Millor)

ESPETADAS ELEGANTES E EDUCADAS EM ITAJUBÁ

Gosto da Célia Rennó. Muito bem articulada, com posição política definida, muito habilidosa e dedicada nas campanhas políticas. Nunca ganhei dela em campanhas. Creio que não assistirão mais esses embates. Estou jogando a toalha.
Mas sempre nos respeitamos muito.
Leio sempre o seu blog (ja recomendamos aqui): http://blogceliarenno.blogspot.com  
Hoje o "viver é perigoso" copiou uma postagem do seu blog abordando um assunto em pauta na cidade: críticas.
Como é difícil recebê-las com humildade. Ficamos contentes pelo reconhecimento da importância dos debates "tecla a tecla".  Leiam:

"Ainda bem que existe a Internet porque, caso contrário, a gente ficaria apenas com a informação enlatada da imprensa sobre as coisas que acontecem na cidade e no país. Os blogs, o twitter, as redes sociais de um modo geral, são uma verdadeira revolução na forma de comunicação entre as pessoas e na forma de informação e formação de todos. Se antes, tínhamos apenas acesso às versões prontas sobre as coisas, aquelas que iam para as revistas, jornais, rádios e TVS, hoje temos as falas das pessoas comuns dialogando com as autoridades, com os outros cidadãos, enfim... Todo mundo acessando todo mundo, ouvindo todos os lados, conhecendo opiniões diversas que nunca iriam para um veículo de comunicação convencional.
Aqui em Itajubá não é diferente. Tenho pesquisado para conhecer blogs de gente daqui, sites ou seja lá o que for, para saber como está esta interação entre as pessoas, o que elas pensam sobre tudo.
No blog de Zezinho Riêra, acho muito interessante quando ocorre o diálogo entre 'as partes'. Papos recentes entre ele e o reitor da Unifei, professor Renato Nunes, são interessantes de serem acompanhados. Sempre há uma ironiazinha, um aborrecimento quanto à crítica, uma cutucada mais forte, uma indireta, uma meia palavra - que para bons entendedores basta - mas é indiscutível que esse diálogo é ótimo. Acho que ainda falta muito para que as pessoas não levem as críticas e os questionamentos para o lado pessoal, mas a gente vai evoluindo e crescendo com essa nova possibilidade de diálogo 'tecla a tecla'.
Aliás, como o próprio nome do blog de Zezinho Riêra diz, Viver é Perigoso. Guimarães Rosa sabia de tudo. E o perigo, neste tempo de Internet, é tentar engessá-la para que fique igual à mídia tradicional. Penso diferente de Zezinho Riêra numa porção de coisas, mas gosto de ver a diferença escancarada, transparente, para que o leitor possa concordar e discordar disso e daquilo.
Na minha busca por espaços semelhantes em Itajubá, aceito dicas de blogs e twitters de gente daqui para que eu possa ver a interação acontecendo e assistir à deliciosa mistura de ideias e pessoas."
Célia Rennó.
 
ER 

FRASE DO DIA



" O tempo se encarregará de por as coisas no seu devido lugar. O presidente Emílio Garrastazu Médici também obteve, em 1974, 82% de aprovação."

Ferreira Gullar (Ontem na FSP)

ESTÁ MOLE PRÁ CHOVER

Não sou saudosista, quer dizer, não muito. Antigamente acontecia todo um cerimonial para cair uma chuva. Três dias antes o céu começava a ficar diferente. Nos finais de tarde aparecia um ventinho meio chato. Lá pelo quarto dia começava a cair água.
Numa época do ano, fininha e persistente. No verão, já chegava de baciada, com relâmpagos e trovões.
Hoje, não só aqui como em todo o mundo, as coisas estão viradas.
Em Itajubá, desde dezembro, está impressionante. Você desce do carro correndo da chuva e ao abrir a janela da casa depara com o sol.
Coloca-se roupas para secar e em poucos minutos nova correria para recolher. Já está acontecendo de cumprimentarmos os conhecidos, vamos dizes assim, mais de perto, e sentir o "perfume" de roupas secas meio que às pressas.
Não sou ambientalista, mas por ação dos homens não temos mais estações definidas (e nem roupas sem cheiro de molhado).

ER  

PHOTOGRAPHIA NA PAREDE

(Richard Avedon)

ANONYMOUS

Deu ontem no jornal espanhol El País.
 
Será que os nossos Anonymous participam do grupo?
 
Uma legião de internautas se mobiliza na rede. Se fazem chamar de Anonymous e dizem lutar pela transparência, pela liberdade de expressão e pelos direitos humanos. Não mostram a cara e nem tem líderes. É um movimento libertário.
Este o seu lema: "Somos uma legião, não perdoamos, não esquecemos, esperamos." Assim é como encerram seus comunicados. Este movimento sem líderes e sem portavozes, com voz porém sem cara. Ou melhor, com máscara do anarquista revolucionário de V de Vingança, novela que inspirou o filme protagonizado por Natalie Portman e Hugo Weaving em 2006. A´máscara foi convertida em símbolo do movimento.
"Não somos membros de nenhum grupo político, não somos políticos, somos ativistas. Nos ofenderíamos se nos ligassem a qualquer corrente política." Entender o universo Anonymous não é coisa fácil, o fenômeno é o perfeito reflexo de um mundo novo no qual vivemos, de uma nova sociedade que está nascendo a raiz da revolução digital.
Nem todos os membros dos Anonymous são hackers, a maioria são ciberativistas que participam de conversação online e, ocasionalmente, participam de protestos nas ruas.
Qualquer Anonymous que queira se destacar é afastado pelo resto da comunidade. Assim ocorreu em Londres em dezembro com Coldblood, um Anonymous que deu a cara perante a imprensa nos dias do processo de Assange (Wikileaks): "Coldblood foi condenado ao ostracismo", confirma Hamster, membro dos Anonymous desde 2008.
Na semana passada os Anonymous colocaram em colapso os sites oficiais da Tunísia. Na última segunda-feira tomaram via web, o partido irlandês Fine Gael. Atacaram a SGAE e os partidos políticos espanhóis. Há um mês atacaram o Visa, Mastercard, PayPal e Amazon, devido a posição tomada por essas empresas, com relação ao Wikileaks.
Querem saber mais:
 
ER

NA ERA DO RÁDIO

Célia Rennó comentou:

Quando leio alguma coisa a respeito de rádio, me inquieto muito porque é um ambiente em que transitei por bom tempo, convivendo com todas as dores e delícias de mexer em caixas de vespas. Tenho ouvido um pouco do que se fala nas rádios de Itajubá e, sem entrar nos conteúdos abordados, penso que está faltando um pouco de 'sobriedade' no trato da informação. Não achei palavra mais adequada, mas acho que sobra muita coisa e o prejuízo é da informação e, por consequência, de quem quer ouvi-la. Sobram palpites, sobram preconceitos, sobram ironias, sobram subjetividades e outras coisas mais. É possível sim fazer rádio sem parecer ser um partido político.
Célia Rennó

Blog: Também sempre gostei muito de rádio. Quando no carro ligo primeiro o rádio. Quando no computador fico direto sintonizado em uma rádio. Concordo inteiramente com a Célia Rennó, que conhece bem a área. 
Defender causas onde podem interesses, mesmo de direito, embutidos, e assumir posições políticas, deixam os ouvintes incomodados. A utilização de ironia e brincadeiras em excesso muitas vezes levam o ouvinte a se postar favoravelmente do lado do criticado.
O próprio "viver é perigoso" que é de acesso muito restrito, muitas vezes tem dificuldade de estabelecer limites para a utilização desses expedientes, que acabam sendo armas.
De todas as emissoras locais, creio que a Futura FM é a que tem mais condições de se adequar a um estilo que agrade aos seus ouvintes, que são muitos pelo Brasil todo, graças a era digital. 
Estamos nos referindo aos noticiários.

ER

BELAS ARTES

Está marcado para o dia 27 próximo, o fechamento do Cine Belas Artes em São Paulo (Rua da Consolação). É uma tristeza. São cinco salas. Começou a funcionar em 1943 com o nome de Cine Ritz. O proprietário do prédio não quer renovar o contrato de locação. Vai alugá-lo para uma loja.
Esta carta de um leitor (João Ernesto Marino Neto) foi publicada ontem na Folha. Muito interessante.

"No ano passado, resolvi fazer uma surpresa para minha mulher e aluguei uma sala do Cine Belas Artes para uma sessão privada para apenas nós dois. Assistimos ao mesmo filme que vimos no nosso primeiro encontro, há 25 anos. O Belas Artes foi o único cinema que atendeu ao meu pedido. Sei que não fez isso não apenas pelo dinheiro (que não foi pouco), mas sim pelo amor que tem pela arte. Sei que o cinema Belas Artes tem muito mais valor para a sociedade do que qualquer loja que possa ser construída em seu lugar. Viva o Belas Artes"

Fico pensando: Toda a minha geração não terá dificuldade em comemorar os marcantes aniversários de casamento, com a esposa, no cinema do primeiro filme juntos.
Poderemos levar o filme em DVD, sentar num sofá do Magazine Luiza (ex-Alvorada) ou nas Lojas Pernambucanas ( ex- Cine Presidente).
Pipoca pode. Beijinhos, nem pensar.
Se foi no Apollo, é só enfrentar uma fila da loteca (ex-Cine Apollo), ou se no Paratodos, fazer uma encomenda na Gráfica 30 minutos (ex-Cine Paratodos) .

Em setembro passarei um bom tempo no Magazine Luiza. Espero.

ER

MEDICINA E FELICIDADE

Não deixem de ler. Chega a emocionar. 

Publicado ontem na Folha

Dr.Miguel Srougi, é médico pós-graduado em urologia pela Harvard Medical School (EUA), professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Conselho do Instituto Criança é Vida:

A medicina nos oferece um privilégio sem paralelo na existência humana: a chance de aliviar o sofrimento e de resgatar seres para a vida. A sensação proporcionada por esses momentos é arrebatadora.
E isso acontece no cotidiano da vida médica. Esse processo se insere no conceito de felicidade plena, cuja melhor definição roubei da telinha despretensiosa de meu computador. Li e concordei que felicidade é um estado de contentamento com o que somos, é viver num "continuum" de bem-estar físico, mental e afetivo. Nada material.
Contudo, a vida me ensinou que, para atingir esse estado de graça, mesmo usufruindo de todo o bem-estar, precisamos estar cercados por pessoas felizes. O médico, como ninguém, tem a oportunidade de criar a felicidade no seu entorno.
Por essa razão, para pacificar a alma, os médicos não necessitam apenas da ilustração para curar, mas têm que ser dotados de solidariedade e de compaixão, têm que se postar em defesa dos seus pacientes e proteger o seu entorno, como guardiães do corpo e da alma.
Infelizmente, os momentos de felicidade não se perenizam, porque a profissão médica é frequentemente açodada por imperfeições da natureza humana e pelos efeitos de uma sociedade injusta e desigual.
Profissão que exige o comprometimento pessoal permanente, a separação da família e a convivência com o sofrimento.
Profissão que, às vezes, se acompanha de incompreensões indevidas da sociedade, que nem sempre reconhece as limitações da medicina ou a existência de fatos inexoráveis que envolvem a existência humana, como a morte implacável, a decadência física pelo passar dos anos ou doenças sem cura.
Profissão em que seus principais protagonistas, os médicos, são asfixiados por um sistema de saúde pública indigente, perdulário e injusto, gerido por um governo central insensível, que foi capaz de pagar, em 2010, cerca de R$ 180 bilhões da riqueza nacional em juros e destinar só R$ 55 bilhões para financiar toda a saúde do povo brasileiro.
Governantes incapazes de compreender que sem saúde não existem seres livres. Profissão em que seus membros são acuados pela violência e afrontados por salários incapazes de propiciar vida digna, oprimidos por entidades privadas de assistência, que cerceiam sua autonomia e impõem restrições perigosas às ações médicas. Enfim, profissão que sobrevive pelos seus encantos incontestáveis, mas também porque é conduzida por seres que têm no estoicismo uma de suas marcas incomparáveis.
Como atenuar esses aspectos menos inebriantes da profissão?
Não tenho dúvidas: expondo honestamente as limitações da medicina e dos seus profissionais, frágeis como os outros seres. Mais do que isso, denunciando o apequenamento daqueles que nos dirigem, com a dignidade que a posição de médico nos confere.
Sem a vergonha de protestar, de espernear, usando o mesmo idealismo que todos exibiam quando ingressaram na universidade. Fazendo brotar na sociedade a consciência crítica e os sentimentos da cidadania e da indignação.
Os médicos devem ser modelos de comportamento, devem aprofundar as relações humanas e devem exercer a medicina na sua dimensão mais sublime. Mas também devem reagir, demonstrar indignação, impregnar os que vêm depois com os sentimentos da consciência crítica e da cidadania.
Os médicos devem se postar firmemente em defesa dos direitos humanos e contra as indecências, lembrando o arcebispo Desmond Tutu: "Se ficarmos neutros numa situação de injustiça, teremos escolhido o lado do opressor".

Miguel Srougi

O PAPO DE SEMPRE